O PSD de Alagoas entrou de vez no tabuleiro das eleições de 2026 com uma estratégia bem definida para a Câmara Federal: garantir pelo menos duas cadeiras e lançar Samyra do Basto como a grande aposta para ocupar uma delas. A movimentação tem o governador Paulo Dantas (MDB) como articulador silencioso nos bastidores.
A reeleição do deputado federal Luciano Amaral, atual presidente estadual do PSD, é tratada como praticamente certa dentro do grupo. Há três anos, quando disputou sua primeira eleição para deputado federal, Amaral foi o terceiro candidato mais votado de Alagoas, com 101.508 votos. Agora, no PSD, Amaral atua nos bastidores para robustecer a chapa da sigla e fazer pelo menos dois federais — com possibilidade de um terceiro — nas urnas em 2026.
É justamente na briga pela segunda vaga que Samyra do Basto aparece como protagonista. O cenário político alagoano ganhou novos contornos com a confirmação de sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados. Ex-secretária de Governo de Junqueiro, Samyra oficializou sua renúncia ao cargo administrativo para mergulhar de vez na articulação eleitoral.
Ela caminhará sob a legenda do PSD, partido comandado em Alagoas por Luciano Amaral. A meta de seu marido, o prefeito Leandro Silva, é ambiciosa: consolidar o prestígio da família em duas frentes legislativas — a reeleição do irmão André Silva na Assembleia Legislativa e a eleição de Samyra como deputada federal.
A escolha do PSD é estratégica: a sigla mantém conexão sólida com o Palácio República dos Palmares e com o governador Paulo Dantas (MDB), o que garante à candidata um palanque com musculatura política e capilaridade estatal. Segundo informações divulgadas pelo Cadaminuto, Leandro Silva entrou para a história política regional ao liquidar a hegemonia de uma família tradicional em Junqueiro, vencendo duas eleições municipais consecutivas.
A estratégia de comunicação do grupo já ganhou as redes sociais com uma analogia ao futebol — escolha não à toa em ano de Copa do Mundo. Nas publicações, Samyra aparece ao lado do marido e do cunhado, o deputado estadual André Silva, todos com a camisa da Seleção Brasileira, num chamado ao que o grupo batizou de "time do trabalho".
Samyra traz na bagagem a experiência da eleição de 2024 em sua terra natal, Girau do Ponciano. Na ocasião, disputando a prefeitura pelo PDT, ela obteve 28,58% dos votos válidos — 6.358 votos. Para chegar a Brasília, o desafio será transbordar a votação das bases familiares em Junqueiro e Girau, buscando adesão em outras regiões do estado.
O cenário não é de caminho livre. O PSD projeta de 1 a 2 cadeiras, e o diferencial do partido está justamente no volume de candidatos competitivos disputando a segunda vaga — com Davi Maia, Rui Palmeira e Samyra do Basto em disputa direta. Alagoas elegerá 9 representantes para a Câmara dos Deputados em outubro de 2026.
Paulo Dantas tem dado sinais de que o seu candidato federal será Amaral, o que pode vitaminar a votação do deputado com as bases eleitorais do governador no interior do estado — e, por extensão, beneficiar toda a chapa, incluindo Samyra. A lógica do grupo é clara: quanto maior o puxador, mais votos a legenda arrasta no sistema proporcional.







