O advogado Diego Fraga de Castro, de 42 anos, foi encontrado morto a tiros dentro do próprio carro na terça-feira (4), na zona rural de Jeremoabo, a cerca de 85 km de Paulo Afonso, cidade onde morava e atuava profissionalmente. O crime é investigado pela Polícia Civil, com acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA).
O corpo foi localizado nas proximidades da Serra da Santa Cruz. Segundo apuração preliminar, a vítima foi atingida por disparos de arma de fogo e pode ter sido surpreendida em uma emboscada, hipótese que ainda depende da conclusão das investigações. A Polícia Civil e o Departamento de Polícia Técnica (DPT) estiveram no local para os trabalhos de perícia e a remoção do corpo.
A morte expôs uma série de conflitos em que o advogado estava envolvido. O mais notório foi o embate com o Cartório de Registro de Imóveis de Jeremoabo, gerido pela oficiala Juliete Laura Rocha Maurício Rosendo. A disputa começou em 2022, por causa de divergências sobre cobrança de emolumentos cartorários, e evoluiu para representações disciplinares, boletins de ocorrência e ações judiciais movidas pelos dois lados.
Em junho de 2023, a OAB-BA promoveu um ato público de desagravo em defesa do advogado, realizado em frente ao cartório. O episódio ganhou repercussão no Judiciário baiano depois que a cartorária usou um caminhão estacionado na entrada da serventia para tentar dificultar o acesso ao ato, conduta classificada como abuso de autoridade pelo presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargador José Rotondano.
Na esfera cível, a Justiça condenou a oficiala a indenizar Diego por ofensas registradas em audiências e em documentos oficiais, somando R$ 18 mil em duas sentenças proferidas pelo Juizado Especial Cível de Jeremoabo. Já na esfera criminal, um juiz reconheceu, em setembro de 2025, a existência de ofensas recíprocas entre as partes e concedeu perdão judicial à cartorária.
O desgaste acumulado na comarca levou dois magistrados a se declararem impedidos ou suspeitos para julgar processos envolvendo o advogado — um deles por ter presenciado pessoalmente os conflitos, e o outro por motivo de foro íntimo.
Diego também enfrentava outras frentes judiciais. Desde o início de 2026, ele era investigado por ameaça e esbulho possessório em um caso que tramita na comarca de São Felipe. Em Sergipe, seu estado natal, o advogado havia respondido a processo por resistência, desobediência e desacato após uma detenção durante um evento na cidade de Pinhão.
Diante do histórico de desavenças acumuladas entre 2021 e 2026, a Polícia Civil trabalha agora para mapear os últimos passos do advogado e identificar os autores e possíveis mandantes do crime. Até o momento, não há suspeitos presos nem motivação oficialmente confirmada.







