A Prefeitura de Salvador deu um passo ambicioso no campo da segurança pública nesta quinta-feira (30): lançou o projeto Salvador Segura, uma plataforma de videomonitoramento inteligente que pretende unificar câmeras públicas e privadas espalhadas pela capital baiana sob um único sistema operado com inteligência artificial.
A meta é saltar do atual parque de câmeras para uma rede com mais de 10 mil equipamentos. A prefeitura possui hoje cerca de 3,7 mil câmeras em funcionamento e pretende ampliar esse número para 5 mil câmeras públicas, além de outras 5 mil em parceria com o setor privado. O conjunto formaria o que o prefeito Bruno Reis chamou de "cercamento eletrônico" da cidade, monitorando fluxos de entrada e saída de pessoas e veículos.
Câmeras já instaladas em equipamentos públicos municipais — como unidades de saúde, escolas, Prefeituras-Bairro, Cras e Creas — juntamente com as da iniciativa privada em pontos estratégicos, como centros comerciais, serão dotadas de inteligência artificial pela Semit e integradas a uma base de dados de operação conjunta.
Além do reconhecimento facial e da leitura de placas de veículos, o sistema contará com análise comportamental automatizada. Segundo o secretário municipal de Inovação e Tecnologia, Alberto Braga, a plataforma poderá emitir alertas automáticos às forças de segurança sempre que identificar comportamentos suspeitos, acionando a equipe mais próxima do local.
O sistema será operado conjuntamente pela Semit, Guarda Civil Municipal (GCM), Defesa Civil de Salvador (Codesal), Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). A integração com o estado permitirá o compartilhamento de imagens entre as forças de segurança, ampliando o tempo de resposta às ocorrências.
A implantação já foi iniciada. Segundo o secretário Braga, as primeiras áreas cobertas são o bairro do Comércio e o Centro Histórico de Salvador. A expectativa é expandir gradualmente para outras regiões da capital. O armazenamento das imagens será feito em data center próprio da prefeitura e também em nuvem.
O projeto se insere em um plano maior. A Câmara Municipal de Salvador aprovou, em maio deste ano, o Plano Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (PMSPDS), que reúne ações voltadas à prevenção da violência, ampliação do videomonitoramento e fortalecimento da Guarda Civil Municipal. O orçamento estimado para a área pode chegar a R$ 14,3 bilhões até 2035.
A tecnologia de reconhecimento facial não é novidade no estado. O sistema da SSP-BA está instalado em 81 cidades da Bahia e cruza imagens captadas por câmeras de monitoramento com o banco de dados da segurança pública para identificar pessoas com pendências judiciais. Desde sua implantação, em 2019, mais de 5,3 mil pessoas com mandados de prisão já foram localizadas na Bahia com auxílio da ferramenta. Com o Salvador Segura, a intenção é ampliar e integrar ainda mais esse alcance dentro da capital.
O funcionamento da tecnologia ocorrerá de maneira gradativa após o lançamento. O subsecretário de Inovação e Tecnologia, Cláudio Maltez, ressaltou que, em uma primeira fase, será feito um refinamento do cruzamento de dados para evitar resultados falsos. O objetivo declarado da prefeitura é transformar o monitoramento eletrônico em instrumento permanente de prevenção e resposta à criminalidade em Salvador.







