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Política

Pressionado a brigar com JHC, Rodrigo Cunha se recusa a criticar o antecessor mesmo com as contas no vermelho

Integrantes do próprio campo governista tentam empurrar o novo prefeito de Maceió para um confronto com o ex-chefe, mas fontes próximas garantem que ele não vai ceder.

Redação ChicoSabeTudo
13 de junho, 2026 · 07:24 2 min de leitura
Rodrigo Cunha e JHC durante cerimônia de posse na Prefeitura de Maceió
Rodrigo Cunha e JHC durante cerimônia de posse na Prefeitura de Maceió

O novo prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha, herdou uma cidade com as finanças complicadas, mas tem mantido silêncio absoluto sobre o que ficou para trás. A postura chama atenção porque há pressão vinda de dentro do próprio campo governista para que ele aponte, ao menos publicamente, os apertos deixados pela administração de João Henrique Caldas, o JHC.

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Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, um personagem muito próximo ao atual prefeito garante que Cunha não vai ceder: ele não reclamou, não reclama e não vai reclamar da herança recebida. A resistência se mantém mesmo diante de episódios que expuseram a fragilidade das contas municipais, como o problema com o serviço de coleta de lixo, que estaria em vias de ser resolvido.

Rodrigo Cunha foi empossado como prefeito de Maceió em 5 de abril de 2026, após a renúncia formal de JHC ao cargo. No discurso de posse, o novo prefeito declarou que "Maceió continua com dois prefeitos" e reafirmou que "política é necessário diálogo, portas abertas e não quebra os princípios."

O passivo financeiro, porém, é real e de grandes proporções. Rodrigo Cunha mal assumiu a prefeitura e já se viu diante de um déficit de R$ 299,4 milhões no fundo de previdência do município. O rombo está associado a investimentos realizados em letras financeiras do Banco Master, colocando a capital alagoana no centro de um dos episódios mais graves da gestão anterior.

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Entre os 15 fundos de previdência que investiram em letras financeiras do Banco Master, Maceió registra o maior déficit — R$ 299,4 milhões, de acordo com dados do sistema Cadprev, do Ministério da Previdência Social. O governo federal determinou que estados e municípios serão os responsáveis finais por cobrir os rombos, já que esse tipo de investimento não conta com a garantia do FGC.

Ainda segundo o Cada Minuto, o fim da gestão JHC teria sido marcado por gastos acima do necessário com eventos e inaugurações — esse seria o principal motivo do aperto financeiro que Cunha enfrenta agora. A expectativa da prefeitura é de que, já em agosto, a situação orçamentária chegue mais perto da normalidade.

No cenário político mais amplo, JHC anunciou que deixará o partido e será candidato ao governo de Alagoas nas eleições de 2026. O ex-prefeito assinou sua ficha de filiação ao PSDB, em negociação conduzida pelo presidente nacional do partido, Aécio Neves, consolidando o rompimento com o deputado federal Arthur Lira.

É exatamente essa candidatura ao governo estadual que torna o silêncio de Rodrigo Cunha um gesto politicamente calculado. Qualquer crítica pública ao ex-prefeito poderia criar ruído numa aliança que ainda importa para o grupo. Por ora, quem tenta acender essa fogueira são outros — e Cunha, por enquanto, não passa nem perto do fósforo.

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