Um pipeiro do município de Parnamirim, no Sertão pernambucano, tornou pública uma denúncia que mistura política e acesso à água: ele afirma ter sido barrado de abastecer seu caminhão-pipa mesmo portando credencial regularmente emitida pela Compesa — a Companhia Pernambucana de Saneamento.
O trabalhador se chama Hildebrand Ângelo de Miranda, mais conhecido como Dandor. Segundo informações divulgadas pelo Blog do Didi Galvão, ele publicou uma nota pública de repúdio na qual classifica o episódio como perseguição política direta ao seu direito de exercer a profissão.
No comunicado, Dandor afirma que possui senha concedida formalmente pela Compesa para realizar o abastecimento do veículo. O sistema da companhia exige que o pipeiro credenciado acesse um aplicativo com login e senha no momento do abastecimento, registrando volume e ponto de captação. Mesmo com essa autorização em mãos, segundo ele, o serviço foi impedido de acontecer.
Na nota, Dandor classifica como inadmissível qualquer interferência política numa atividade que, segundo ele, deveria ser conduzida com imparcialidade e igualdade de tratamento entre todos os profissionais credenciados. Ele ressalta que o serviço prestado pelos pipeiros é essencial para a população — especialmente em regiões do sertão nordestino onde o fornecimento de água via rede pública ainda é irregular ou insuficiente.
O trabalhador também apontou o impacto pessoal do impedimento: segundo ele, a situação compromete seu direito ao trabalho e o sustento de sua família. Ao encerrar o comunicado, Dandor pediu esclarecimentos públicos sobre o caso e cobrou que todos os profissionais da área sejam tratados com respeito e sem distinções de caráter político.
A reportagem do Blog do Didi Galvão tentou contato com o prefeito de Parnamirim, Múcio Angelim, e com o vice-prefeito Nivaldo Mendes. Até a publicação original da matéria, nenhum dos dois havia se manifestado. O espaço para resposta permanece aberto, segundo a publicação.
O caso chama atenção porque envolve um serviço considerado estratégico no semiárido. A Compesa mantém processo formal de credenciamento de pipeiros em todo o estado de Pernambuco, com validade definida e tabela de preços regulamentada. Interferências nesse acesso, quando denunciadas, tendem a repercutir com força em comunidades que dependem do abastecimento alternativo para ter água em casa.
Por ora, a denúncia de Dandor segue sem resposta oficial das autoridades municipais de Parnamirim.







