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Política

Onze anos depois, Justiça executa ordem de desocupação em fazenda ligada à Usina Laginha

Operação na Fazenda Riachão do Casado, em Rio Largo (AL), mobilizou batalhões da PM e visa devolver área ao patrimônio da massa falida do grupo sucroenergético.

Redação ChicoSabeTudo
16 de junho, 2026 · 12:08 2 min de leitura
Policiais militares acompanham operação de reintegração de posse na Fazenda Riachão do Casado, em Rio Largo (AL)
Policiais militares acompanham operação de reintegração de posse na Fazenda Riachão do Casado, em Rio Largo (AL)

A Justiça de Alagoas deu início, na manhã desta terça-feira (16), ao cumprimento de uma ordem de reintegração de posse que tramitava há 11 anos. A operação ocorre na Fazenda Riachão do Casado, localizada na zona rural de Rio Largo, e prevê a desocupação de aproximadamente 35 imóveis identificados por meio de imagens aéreas captadas por drone, segundo informações divulgadas pelo portal TNH1.

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A decisão foi expedida pela 29ª Vara Cível de Maceió e determina que a área volte a integrar o patrimônio da Usina Laginha. O processo judicial que originou a ação teve início em 2014, mesmo ano em que a falência do grupo foi decretada. Durante a operação, os moradores estão sendo retirados juntamente com seus pertences. As residências não serão demolidas nesta data, conforme informado pelas autoridades.

A Polícia Militar mobilizou diversas unidades para garantir a segurança durante o cumprimento da ordem. De acordo com a fonte, participam da operação equipes do Comando de Policiamento da Região Metropolitana (CPRM) e do Comando de Missões Especiais (CME), com efetivo do 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM), do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), do Batalhão de Rotam e do Regimento de Polícia Montada (RPMon).

O caso se insere num contexto mais amplo de disputas em torno dos bens da Laginha Agroindustrial S/A. Fundada em 1958, a Laginha foi um dos maiores grupos sucroenergéticos do país, com usinas em Alagoas e Minas Gerais. A empresa entrou em recuperação judicial em 2008, após enfrentar elevado endividamento, e teve a falência decretada em 2014.

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Desde então, o processo acumula episódios de afastamento de magistrados, denúncias de favorecimento e disputas entre herdeiros. Em dezembro de 2024, a maioria dos credores aprovou plano de pagamento que incluiu União e Estado de Alagoas, mas a execução segue cercada de questionamentos.

O processo, que tramita há 18 anos, envolve cerca de 19 mil credores. A União teria a receber mais de R$ 2 bilhões em impostos não recolhidos, além de R$ 160 milhões de FGTS devido. A reintegração de posse da Fazenda Riachão do Casado é, portanto, mais um capítulo numa saga judicial que ainda está longe de ser encerrada.

A operação desta terça seguia em andamento no momento da publicação desta reportagem, sob acompanhamento das forças de segurança responsáveis pelo cumprimento da decisão.

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