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Política

Bahia quer obrigar lojistas a checar identidade em pagamentos via Pix acima de R$ 2 mil

Proposta do deputado Hassan na Alba mira sequestro-relâmpago e extorsão: comerciantes teriam que conferir se o titular da conta bancária é o mesmo que está comprando.

Redação ChicoSabeTudo
16 de junho, 2026 · 13:03 2 min de leitura
Pessoa realizando pagamento via Pix em celular em loja física
Pessoa realizando pagamento via Pix em celular em loja física

Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) quer tornar obrigatória a apresentação de documento oficial com foto em compras realizadas via Pix quando o valor for igual ou superior a R$ 2.000. A proposta é do deputado Hassan (PP) e tem como alvo direto uma modalidade de crime que vem crescendo no país: o sequestro-relâmpago e a extorsão praticados no balcão do comércio.

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Pela regra proposta, o estabelecimento comercial precisaria conferir se o nome do titular da conta bancária que originou o Pix bate com os dados do documento apresentado pelo comprador. Caso haja divergência ou o cliente se recuse a mostrar a identificação, o lojista teria o direito de recusar a venda.

O parlamentar justifica a iniciativa explicando que as barreiras digitais dos bancos — como biometria, reconhecimento facial e limites diários de transação — perdem eficácia quando a vítima é fisicamente coagida. "A realidade demonstra que tais barreiras digitais tornam-se inócuas quando a vítima é coagida fisicamente a romper essas etapas eletrônicas sob mira de arma de fogo", afirmou Hassan ao protocolar o projeto.

O contexto que motivou a proposta é real e preocupante. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, entre julho de 2024 e junho de 2025, cerca de 24 milhões de pessoas foram vítimas de golpes financeiros envolvendo o Pix ou boletos bancários, com prejuízo estimado em quase R$ 29 bilhões. O sequestro-relâmpago, em que a vítima é rendida e forçada a realizar transferências de alto valor, aparece entre as modalidades mais violentas.

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Segundo informações divulgadas pela fonte original, criminosos utilizam esse tipo de coação para forçar vítimas a comprar joias e aparelhos celulares usando a própria conta bancária, convertendo o produto do crime em patrimônio rapidamente. A checagem visual de identidade no balcão criaria, na avaliação do deputado, um obstáculo que desestimularia a ação desses grupos — já que o criminoso não conseguiria exibir o documento da vítima.

Para os lojistas, o projeto prevê responsabilidade. O descumprimento da norma sujeitaria os estabelecimentos privados a sanções administrativas, incluindo advertência e multa, aplicadas pelos órgãos estaduais de defesa do consumidor, com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC). A intenção declarada do parlamentar é que a medida não engesse o comércio, mas apenas acrescente uma etapa simples de verificação humana nas operações de maior valor.

Hassan é deputado estadual pelo PP e tem apresentado uma série de projetos voltados à segurança e à defesa do consumidor na Alba. A proposta sobre o Pix ainda precisará passar pelas comissões da Casa antes de seguir para votação em plenário. Se aprovada e sancionada, a Bahia se tornaria pioneira em regulamentar a verificação de identidade no comércio físico para pagamentos instantâneos.

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