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Política

Na reta final antes do defeso eleitoral, governo Jerônimo acelera obras e enfrenta turbulências nas entregas

Estaca da ponte Salvador-Itaparica e reinauguração do TCA viraram palco de polêmica — e a oposição aproveitou cada brecha antes das restrições de julho

Redação ChicoSabeTudo
06 de julho, 2026 · 07:43 3 min de leitura
Cerimônia de cravação da primeira estaca da Ponte Salvador-Itaparica com Lula e Jerônimo Rodrigues em Vera Cruz (BA)
Cerimônia de cravação da primeira estaca da Ponte Salvador-Itaparica com Lula e Jerônimo Rodrigues em Vera Cruz (BA)

O relógio apertou para o governador Jerônimo Rodrigues. A corrida para as Eleições Gerais de 2026 entrou em fase decisiva, e faltando exatamente três meses para o primeiro turno, passaram a valer as regras mais duras do chamado "defeso eleitoral". O prazo criou uma janela específica para que gestores candidatos à reeleição tentassem consolidar sua imagem por meio de obras e inaugurações — e o governo baiano não perdeu tempo.

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O governador da Bahia acelerou o ritmo de inaugurações e anúncios de obras em diferentes regiões do estado às vésperas do prazo de desincompatibilização previsto pela legislação eleitoral. Nos últimos dias, governantes em todo o estado correram contra o tempo para inaugurar obras às pressas — algumas, inclusive, sem estarem totalmente concluídas.

O episódio mais emblemático foi a cerimônia da Ponte Salvador-Itaparica. No dia 1º de julho, o início oficial da construção foi celebrado com a cravação da primeira estaca, em uma cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Jerônimo Rodrigues e da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. Com investimento estimado em R$ 11,6 bilhões — sendo R$ 3 bilhões de aporte federal, R$ 3,1 bilhões de aporte estadual e R$ 5,5 bilhões da concessionária —, o projeto integra o Novo PAC.

O que seria uma festa virou motivo de disputa narrativa. Segundo análise do colunista Fernando Duarte, do Bahia Notícias, a estaca cravada no canteiro de obras foi apresentada como marco simbólico da própria ponte — quando, na verdade, tratava-se da estrutura da plataforma de apoio logístico à construção. A oposição explorou o episódio. ACM Neto (União Brasil) e aliados atacaram a iniciativa, e até o pré-candidato Romeu Zema (Novo) tentou capitalizar sobre as promessas em torno da obra. A resposta do governo foi enquadrar os críticos como adversários da ponte e da Bahia — um discurso que o colunista classificou como raso.

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Pesquisa Paraná Pesquisas, divulgada no início de julho, mostrou ACM Neto (União Brasil) à frente da disputa no primeiro turno pelo governo da Bahia, com 49,2% das intenções de voto, contra 37,5% de Jerônimo Rodrigues. O cenário eleitoral desfavorável ajuda a explicar a urgência do governador em tentar associar grandes obras à sua gestão antes que o defeso eleitoral inviabilizasse qualquer aparição pública nesse sentido.

Outra entrega com percalços foi a reinauguração do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador. Prevista há bastante tempo, a cerimônia acabou gerando desconforto nos bastidores. A presença de Lula, cujo cerimonial impõe restrições mais rígidas, teria criado atritos não declarados publicamente. Setores culturais teceram críticas veladas à pressa na entrega, com detalhes ainda pendentes de conclusão. A pergunta que fica é quando fomentadores culturais independentes — fora da esfera estatal — terão acesso à Sala Principal do teatro.

As restrições do período eleitoral entram em vigor no dia 4 de julho e seguem até 25 de outubro. Entre as proibições estão a participação de candidatos em inaugurações de obras públicas, a contratação de shows com recursos públicos e a publicidade institucional de órgãos governamentais. O desrespeito às regras pode acarretar a aplicação de multas pecuniárias aos agentes infratores, bem como a cassação do registro ou do diploma da candidatura beneficiada.

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Em quase três anos e meio no poder, Jerônimo ainda tem dificuldades em consolidar uma marca própria, apesar dos bons números do governo. Mesmo os investimentos como as inúmeras escolas de tempo integral, a "menina dos olhos" da gestão estadual, não vingaram como uma marca de quem está no poder.

A análise do colunista aponta que a forma ligeiramente atropelada com que o governo conduziu as inaugurações recentes pode ter gerado mais desgaste do que dividendos políticos. Agora, com o defeso em vigor, caberá ao eleitor — e às pesquisas — dizer se a estratégia funcionou. O período que se abre é também de silêncio institucional: sem inaugurações, sem publicidade, sem palanque. A campanha de Jerônimo, a partir daqui, terá de se sustentar pelo que ficou na memória do baiano.

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