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MP intima governo baiano a explicar e resolver caos em delegacia do oeste do estado

Inquérito aberto há 13 anos expõe estrutura com mofo, fios soltos, presos sem água e policiais que bancavam a comida dos detentos do próprio bolso em Ibotirama.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
26 de maio, 2026 · 00:06 2 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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A Delegacia de Polícia Civil de Ibotirama, no oeste da Bahia, funciona há mais de uma década em condições que o próprio Ministério Público classifica como "graves". Um inquérito civil aberto em 2013 pela 2ª Promotoria de Justiça do município nunca conseguiu obrigar o governo estadual a agir — e a situação, segundo o MP, só piorou.

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Em abril de 2026, a promotora Tahiane Stochero realizou pessoalmente uma visita técnica à unidade e documentou o que encontrou: rachaduras nas paredes, mofo, pintura descascada, infiltrações, portas sem fechadura, fios desencapados no chão e perfurações no teto com ferros retorcidos. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, há ainda risco de incêndio, falta de iluminação e ausência de condições básicas de higiene.

A situação da carceragem é descrita como especialmente desumana. De acordo com o relatório ministerial, os presos ficavam sem água potável e sem alimentação fornecida pelo Estado. O próprio delegado e funcionários da unidade rateavam entre si os gastos com comida dos detentos e com a limpeza do prédio — evidência, segundo a promotoria, de que nenhum recurso básico de manutenção era repassado pelo governo.

O documento revela ainda que, em diversas situações, presos em flagrante precisavam ser devolvidos às cidades de origem porque a delegacia não tinha estrutura mínima para mantê-los. Isso gerava custo extra ao Estado, já que a Polícia Militar precisava arcar com o transporte. Houve ainda registro de fuga e tentativa de fuga por escavação de um buraco que partia da ala dos presos em direção ao quarto onde servidores dormiam.

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Faltam também, segundo o levantamento, computadores, impressoras, ar-condicionado, coletes balísticos e algemas em quantidade suficiente. Para o Ministério Público, essa carência compromete não apenas a segurança dos policiais e do público, mas a própria capacidade investigativa da Polícia Civil. A promotora descreve os agentes que atuam ali como "verdadeiros heróis" por conseguirem trabalhar num ambiente que fere princípios constitucionais.

O problema não é exclusivo de Ibotirama. Em novembro de 2025, o MPBA ajuizou ação civil pública contra o Estado pela falta de alimentação e água na Delegacia de Cipó, onde familiares dos presos eram os responsáveis por levar comida. O padrão se repete em diferentes pontos do interior baiano, revelando um déficit estrutural crônico na segurança pública do estado.

Diante do quadro em Ibotirama, a promotora assinou, em 22 de maio de 2026, a prorrogação do inquérito civil por mais um ano e expediu recomendação formal ao Secretário de Segurança Pública e ao Delegado-Geral da Polícia Civil. Os órgãos foram notificados pela Procuradoria-Geral de Justiça e devem apresentar, em até 30 dias corridos, explicações sobre a situação da delegacia e um plano detalhado para a construção de uma nova sede no município.

A recomendação exige ainda medidas imediatas: verba para alimentação dos detentos, adequação das instalações e reforço de equipamentos. Segundo informações divulgadas pelo Portal Velho Chico News, o descumprimento das exigências pode resultar no ajuizamento de ação civil pública para interdição da unidade e na responsabilização cível, administrativa e criminal dos gestores envolvidos.

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