O governador Jerônimo Rodrigues (PT) deu um passo histórico na composição do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) ao oficializar a indicação da procuradora Camila Vasquez Gomes Negromonte para uma das vagas no colegiado. Segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde, um ofício com a orientação foi enviado à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
Com esse encaminhamento, Jerônimo deve alcançar cinco indicações ao TCM-BA desde o início de sua gestão, em janeiro de 2023. Trata-se, segundo a fonte original, do maior número de indicações acumuladas por um governador desde a criação do órgão, em 1971, pelo então governador Luiz Viana Filho.
A vaga foi aberta em julho de 2025, quando o ex-conselheiro Mário Negromonte se aposentou compulsoriamente. A lista tríplice dos candidatos foi aprovada pelo próprio TCM-BA em agosto daquele ano pelo critério de antiguidade e entregue ao governador. A relação era composta pelo procurador Guilherme Costa Macêdo e pelas procuradoras Aline Paim Monteiro do Rego e Camila Vasquez Gomes Negromonte, do Ministério Público de Contas.
O nome de Camila carregava um peso político desde o início das articulações. Ela é esposa do deputado federal Mário Negromonte Júnior (PSB), e a indicação esteve associada a articulações envolvendo o deputado, que durante a janela partidária deixou o PP e se filiou ao PSB, permanecendo na base governista.
A indicação de um membro do Ministério Público de Contas para o cargo de conselheiro atende a um Termo de Ajustamento de Conduta firmado em 2010 entre o TCM, o governo estadual e o Ministério Público, que não pôde ser cumprido em 2014 por ausência de candidatos que preenchessem os requisitos de idade. Agora, com Camila reunindo todas as condições exigidas, a via institucional está desobstruída.
A indicação precisará ser apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alba antes de ir a plenário. Segundo informações da fonte original, havia possibilidade de a procuradora ser sabatinada ainda nesta semana. Uma fonte ouvida pelo portal A Tarde afirmou que a votação "não será unânime", mas deve ser aprovada sem grandes resistências, já que o governo é maioria na Casa e Camila é descrita como "um nome técnico que preenche todos os requisitos".
O TCM-BA é composto por sete conselheiros. Quatro deles são indicados pela Assembleia Legislativa, e três pelo governador do Estado — sendo um de livre escolha, outro escolhido entre auditores e o terceiro obrigatoriamente oriundo do Ministério Público de Contas. É nessa terceira vaga que Camila Vasquez se enquadra.
Antes de Camila, a Alba já havia aprovado a indicação do deputado estadual Adolfo Menezes (PSD) para outro cargo no tribunal, com 51 votos favoráveis dos 53 deputados votantes. Segundo a fonte original, a efetivação de Adolfo ainda depende da aposentadoria do conselheiro Francisco Netto. O cargo de conselheiro do TCM-BA é vitalício, com garantias institucionais, e o subsídio base é de R$ 41,8 mil, podendo ultrapassar o teto constitucional com adicionais.







