Uma cidade do interior pernambucano surpreendeu o estado com um dos maiores saltos já registrados no ranking de qualidade da Atenção Primária à Saúde (APS). Araripina, no Sertão do Araripe, passou da 132ª posição em 2024 para o 5º lugar entre os 185 municípios de Pernambuco no primeiro quadrimestre de 2026 — uma ascensão de 127 posições em menos de dois anos.
O resultado coloca a cidade à frente de municípios da Região Metropolitana do Recife e de grandes centros urbanos do estado. O indicador avalia o desempenho das Estratégias de Saúde da Família (eSF), que formam a espinha dorsal do atendimento básico no SUS.
O prefeito Evilásio Mateus celebrou a conquista ao lado de sua equipe de saúde e atribuiu o avanço à aposta na prevenção. "Desde que assumimos, decidimos priorizar a saúde que chega mais perto das pessoas, que previne antes de precisar tratar", afirmou o gestor, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Araripina.
Na declaração, Evilásio Mateus também destacou o papel dos profissionais de ponta: "Cada agente comunitário, cada médico, cada enfermeiro que atua nos bairros e na zona rural fez parte dessa conquista." O prefeito sinalizou que os investimentos na área continuarão.
Os dados do primeiro quadrimestre de 2026 consolidam uma ascensão de 127 posições, fruto de uma reestruturação profunda na gestão e no atendimento da saúde municipal. Segundo informações da gestão municipal, a Atenção Primária passou a funcionar de forma mais integrada, com foco em ampliar o acesso e garantir equidade no atendimento, independentemente da localidade onde as famílias residem.
Especialistas em saúde pública apontam que o fortalecimento da Atenção Primária gera um efeito cascata em todo o sistema. Quando a base funciona de forma adequada, a prevenção se torna rotina: doenças são diagnosticadas precocemente, tratamentos começam no momento certo e a pressão sobre os leitos de urgência e emergência diminui significativamente.
O contexto nacional reforça a importância do feito. O financiamento federal da APS é regulamentado pela Portaria GM/MS nº 3.493/2024, que instituiu nova metodologia de cofinanciamento, substituindo o modelo anterior do Previne Brasil. Nesse modelo, cada equipe de Saúde da Família pode receber entre R$ 5.400 e R$ 13.500 mensais conforme seu conceito — Regular, Suficiente, Bom ou Ótimo. Municípios bem posicionados no ranking, portanto, também captam mais recursos federais.
Araripina não está sozinha nessa tendência dentro de Pernambuco. Taquaritinga do Norte também registrou avanço expressivo: em 2024 figurava na 153ª posição, subiu para o 56º lugar em 2025 e chegou ao 7º lugar no estado no primeiro quadrimestre de 2026. O movimento aponta para uma melhora mais ampla da APS no interior pernambucano.
O ranking é calculado a partir de indicadores da Atenção Primária à Saúde definidos pelo Ministério da Saúde. A avaliação considera acesso e qualidade dos atendimentos em áreas como acompanhamento infantil, cobertura vacinal, saúde da mulher, saúde do idoso, promoção da saúde, saúde bucal, primeira escovação dental supervisionada e primeira consulta odontológica.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Araripina, a expectativa da gestão é que os avanços sirvam de estímulo para a manutenção das políticas em curso e para o aprimoramento contínuo das estratégias de cuidado com a população do município, que conta com mais de 90 mil habitantes.







