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Política

Justiça é acionada pela 2ª vez em uma semana para forçar Maceió a pagar R$ 41,8 mi pelo lixo

Defensoria Pública de Alagoas apresentou nova ação civil pública contra a Prefeitura e a Alurb, alertando que a inadimplência municipal pode causar colapso sanitário na capital.

Redação ChicoSabeTudo
23 de julho, 2026 · 00:15 3 min de leitura
Acúmulo de lixo nas ruas de Maceió durante crise na coleta de resíduos em 2026
Acúmulo de lixo nas ruas de Maceió durante crise na coleta de resíduos em 2026

A Defensoria Pública de Alagoas foi ao Judiciário pela segunda vez em menos de uma semana para tentar resolver a crise do lixo em Maceió. O defensor público Othoniel Pinheiro Neto, coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva, ingressou com uma ação civil pública contra o Município de Maceió e a Alurb, a Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana, com o objetivo de colocar um ponto final na crise da coleta de lixo que se estende pela capital.

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A ação pede à Justiça a confirmação de tutela de urgência para assegurar a continuidade dos serviços de coleta e transporte de resíduos sólidos urbanos e a regularização de uma dívida que chega a R$ 50,8 milhões. O passivo é composto por R$ 26,9 milhões devidos à Via Ambiental e R$ 23,9 milhões à Naturalle, referentes a faturas em atraso, reajustes contratuais e compensações financeiras pendentes desde 2023.

Há uma disputa de valores: as empresas afirmam ter a receber mais de R$ 41,7 milhões, enquanto a prefeitura reconhece dever apenas R$ 24,9 milhões pelos serviços prestados de 2025 para cá. A Defensoria pediu o pagamento imediato da parcela incontroversa — R$ 41,8 milhões — como condição mínima para garantir a continuidade do serviço.

A ausência da coleta de lixo pode levar a cidade a um "colapso operacional integral", com consequências sanitárias de difícil reversão, segundo a ação. Na petição, o defensor afirma que a Prefeitura de Maceió se encontra em situação de "mora sistemática e reconhecida" e sustenta que a inadimplência municipal é a causa determinante da precariedade da coleta observada em diversos bairros.

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Documentos anexados ao processo mostram que 16 caminhões e equipamentos da Via Ambiental estavam parados por problemas de manutenção. O órgão ressalta que ambas as empresas continuam responsáveis pela coleta em toda a capital e que a operação envolve uma estrutura de grande porte, com centenas de veículos, mais de mil trabalhadores e atendimento à totalidade da população de Maceió.

De acordo com a ação, a dívida é resultado de faturas em atraso, reajustes contratuais e compensações financeiras acumulados desde 2023. A Defensoria afirma que os débitos começaram a ser acumulados durante a gestão do ex-prefeito JHC e seguiram sem solução nos primeiros meses da administração de Rodrigo Cunha.

Após meses de tentativas de resolver os problemas na coleta de lixo da capital, a Defensoria esgotou todas as medidas extrajudiciais antes de recorrer ao Poder Judiciário. A primeira reunião com representantes da Alurb, da agência reguladora e das duas empresas ocorreu em 3 de junho, mas terminou sem avanço. Novos encontros foram realizados em 17 de junho, 2 de julho e 8 de julho. Segundo a petição, a Secretaria Municipal da Fazenda foi convidada a participar das negociações, mas deixou de comparecer a sucessivas reuniões e não apresentou justificativa.

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A primeira ação civil pública, apresentada dias antes, foi direcionada à Alurb, à Agência de Regulação e Fiscalização de Serviços Públicos de Maceió (Arser) e ao Município, com foco na transparência da fiscalização dos contratos de coleta de resíduos sólidos. Além dos pagamentos, a Defensoria pede que o Município publique informações atualizadas sobre a execução da coleta em plataformas digitais de acesso público e crie canais para o registro de reclamações da população, com prazo de até três dias para retorno e preservação dos dados pessoais dos usuários.

A Defensoria também solicita que seja fixada multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento da decisão judicial, valor que deverá ser destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos. Até a publicação desta reportagem, a Alurb não havia se manifestado sobre a ação.

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