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Política

Faeb projeta rombo de R$ 13 bilhões no agro baiano se Super El Niño se confirmar

Entidade entregou ofício ao governo estadual com pacote de medidas preventivas e avisa: sem planejamento, a conta chega à mesa do consumidor na forma de cesta básica mais cara.

Redação ChicoSabeTudo
23 de julho, 2026 · 06:06 3 min de leitura
Lavoura ressecada no semiárido baiano representando os impactos do El Niño na agropecuária
Lavoura ressecada no semiárido baiano representando os impactos do El Niño na agropecuária

A Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) acendeu um sinal de alerta para o risco de um Super El Niño devastar a economia do estado. Em coletiva de imprensa realizada em Salvador, a entidade projetou que, caso um evento climático semelhante ou mais intenso ao registrado em 2015/2016 atinja a Bahia, os prejuízos econômicos podem ultrapassar R$ 13 bilhões.

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Além das perdas no campo, o fenômeno pode reduzir a oferta de alimentos, pressionar a inflação, elevar o preço da cesta básica e provocar impactos sociais, como aumento da migração e do êxodo rural. O cenário é especialmente preocupante porque a Bahia já enfrenta uma situação hídrica crítica: segundo informações divulgadas pela Faeb, 58 municípios baianos já possuem decreto de situação de emergência em razão da estiagem.

O presidente da Faeb, Humberto Miranda, foi direto ao ponto durante a coletiva. "O El Niño interfere diretamente no valor da cesta básica e na inflação. Também gera migração e êxodo rural", disse ele, reforçando que os impactos vão muito além do campo. A declaração ganha peso quando se observa que a cesta básica de Salvador já chegou a R$ 624,01 em abril de 2026, representando um crescimento de 2,36% em relação a março do mesmo ano, segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

As projeções da Faeb indicam que um evento semelhante ao de 2015/2016 pode comprometer significativamente a produção agropecuária baiana, com os maiores impactos previstos nas cadeias da pecuária de corte e leite, cafeicultura e fruticultura, além de itens essenciais da cesta básica, como feijão, mandioca e milho.

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O El Niño de 2023/2024 serve de termômetro para o que está por vir. Naquela ocasião, o estado perdeu mais de um milhão de animais em consequência da redução das pastagens e da escassez hídrica, com impacto econômico estimado em R$ 1,13 bilhão. O café registrou perdas superiores a R$ 339 milhões, enquanto a cadeia produtiva da banana ultrapassou R$ 210 milhões em prejuízos. Também foram apontados impactos na produção de cebola, leite, laranja, milho, mandioca, feijão, castanha de caju e na apicultura.

O cenário não é exclusivo da Bahia. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) confirmou o início do fenômeno climático, e especialistas alertam que ele pode atingir intensidade semelhante ao chamado "super El Niño", com potencial para provocar secas severas, queimadas, temporais e enchentes em diferentes regiões do Brasil. O boletim técnico mais recente da NOAA aponta 62% de chance de o fenômeno se estabelecer plenamente entre junho e agosto, com a probabilidade subindo para 80% até o final do ano.

Diante desse quadro, Humberto Miranda defendeu uma mudança de postura do poder público. Em vez de reagir às crises, ele cobrou planejamento estrutural: segundo informações divulgadas pela Faeb, a entidade encaminhou ao Governo da Bahia um ofício com propostas divididas em três etapas — pré-emergencial, emergencial e pós-emergencial.

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Entre as medidas sugeridas estão a ativação de poços artesianos já perfurados e ainda inoperantes, a abertura de novas linhas de crédito para infraestrutura hídrica, a formação de estoques estratégicos de milho para alimentação animal, a ampliação da assistência técnica, o fortalecimento do seguro rural e investimentos permanentes em barragens e reservatórios. Segundo projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o fenômeno pode reduzir a produtividade de diversas culturas, causar prejuízos milionários aos produtores e até pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses.

Para o consumidor baiano, o recado é simples: o que acontece no campo chega ao carrinho de compras. E, sem medidas preventivas, a conta pode ser salgada.

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