Outubro de 2026 reserva uma estreia para mais de 165 mil baianos: a primeira vez diante de uma urna eletrônica. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 165.336 eleitores de 16 e 17 anos no estado estão aptos a votar no pleito de 4 de outubro — desse total, 13.837 são de Salvador, conforme informações divulgadas pelo jornal A TARDE.
Para esses jovens, o voto é facultativo. Para eleitoras e eleitores de 16 e 17 anos, tanto o alistamento quanto o voto são facultativos. Ainda assim, muitos deles se prepararam com antecedência, tiraram o título e dizem encarar a participação como um ato político consciente — não apenas como uma formalidade.
A chegada dessa geração às urnas acontece num contexto de oscilação nacional. Projeção do Instituto Lamparina e do movimento GirlUp Brasil, com base em dados do TSE, indica que entre 1,44 milhão e 1,6 milhão de jovens de 16 e 17 anos devem se cadastrar para votar no país — o que representa cerca de 27,6% da população de adolescentes dessas idades, abaixo dos percentuais de 2014 (33,7%), 2018 (31%) e 2022 (41,2%). Um recuo que preocupa especialistas em democracia.
Um dos fatores que explica a queda é burocrático: em 2026, a necessidade de registrar a biometria dos novos eleitores fez com que só fosse possível concluir a solicitação do título presencialmente. Em 2022, parte do processo podia ser feita online, o que facilitou o alistamento em massa.
Na Bahia, iniciativas buscaram contornar essa barreira. Segundo a reportagem do A TARDE, a ação Rolê Cidadão, promovida pela Secretaria Estadual de Educação em parceria com o TRE-BA, levou estrutura de emissão de título a oito colégios do estado e atendeu 2.138 jovens. Foi por meio dessa ação que a estudante Alicia Morais, de 17 anos, aluna do Colégio Estadual de Tempo Integral São Daniel Comboni, em Sussuarana, emitiu seu documento. Para ela, tirar o título vai além da obrigação cívica: é um posicionamento como mulher negra da periferia que estuda em escola pública.
A colega Ana Clara Mota, também de 17 anos e da mesma escola, aponta a internet como ferramenta central para acompanhar a política — mas não sem ressalvas. Ela destaca a necessidade de verificar sempre a origem das informações, especialmente diante do que chama de agravamento das fake news com o uso da inteligência artificial.
O alerta sobre desinformação tem respaldo entre especialistas. O advogado e professor de ciências políticas Caio Sousa, mestre em Ciências Jurídico-Políticas, explica, segundo a reportagem do A TARDE, que os algoritmos das redes sociais privilegiam conteúdo que gera emoção e engajamento, não necessariamente o mais verdadeiro ou qualificado. Para ele, educar jovens para consumir informação de forma crítica é um dos maiores desafios democráticos da atualidade.
No cenário nacional, o TSE tem trabalhado para ampliar o alcance desse eleitorado. Para incentivar que os adolescentes tirem o título de eleitor antes da idade obrigatória, o TSE firmou uma parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para aumentar os índices de participação de pessoas com 16 e 17 anos e dar protagonismo a essa faixa etária no pleito de 2026.
A exatamente 150 dias para o primeiro turno das Eleições 2026, em 4 de outubro, o país atingiu a marca histórica de 158 milhões de cidadãos aptos a votar. Desses, a Bahia conta com 11.094.303 eleitores aptos ao voto. Os mais de 165 mil jovens baianos de 16 e 17 anos representam, portanto, uma fatia pequena — mas simbólica — de uma geração que, pela primeira vez, vai decidir com quem quer construir o futuro.







