Publicidade
PMPA - 6175
Política

Bahia na mira do STF: R$ 25 milhões foram para Porto Seguro, mas moradores relatam saúde no limite

Emenda atribuída a Valdemar Costa Neto chegou ao município três meses antes da reeleição de Jânio Natal, mas população denuncia filas de um ano por exames e colapso nas unidades básicas.

Redação ChicoSabeTudo
19 de julho, 2026 · 12:41 3 min de leitura
Moradores aguardam atendimento em unidade básica de saúde na Bahia
Moradores aguardam atendimento em unidade básica de saúde na Bahia

Porto Seguro, um dos destinos turísticos mais famosos do Brasil, vive uma contradição difícil de explicar. A cidade do extremo sul da Bahia recebeu cerca de R$ 24,9 milhões em recursos federais destinados à saúde — e mesmo assim moradores relatam fila de até um ano para exames e colapso nas unidades básicas de atendimento. Agora, esse dinheiro está no centro de uma investigação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Publicidade

Novas informações sobre a investigação conduzida pela Polícia Federal revelaram que Porto Seguro recebeu R$ 24,9 milhões de uma emenda da Comissão de Saúde cuja indicação é atribuída pelos investigadores ao presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto. O caso é um desdobramento da chamada Operação Transparência.

O ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens em nome de Valdemar Costa Neto. A decisão é um desdobramento da Operação Transparência, na qual a Polícia Federal investiga desvios de emendas. Dino apontou a suspeita de que Valdemar pode ter feito indicações irregulares de emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar.

As investigações apontam que mensagens e planilhas apreendidas indicam a participação de Valdemar na destinação de pelo menos R$ 119 milhões em emendas, formalmente registradas em nome de deputados federais. A PF afirma que deputados federais teriam sido registrados como solicitantes das verbas para conferir aparência formal às operações, embora as indicações fossem atribuídas ao dirigente partidário.

Publicidade

O recurso foi empenhado em junho de 2024, pouco mais de três meses antes da reeleição do prefeito Jânio Natal, também do PL, que venceu o pleito municipal com 53,94% dos votos válidos. Segundo informações divulgadas pelo portal A TARDE, a data de envio — 26 de junho de 2024 — coincide com o prazo limite permitido pela Lei Eleitoral para transferências voluntárias da União a municípios antes de eleições. Especula-se que o repasse teria tido o intuito de fortalecer a gestão para favorecer a reeleição de Jânio Natal.

Somados, os recursos destinados a administrações do PL ou a chapas aliadas à legenda superam R$ 86 milhões — montante que representa mais de 70% do total bloqueado por determinação do STF. Valdemar não foi condenado no caso, e a defesa nega que tenha havido qualquer crime.

Mas o ponto que mais inquieta moradores de Porto Seguro é a discrepância entre o volume de dinheiro e a realidade vivida nas ruas. Segundo informações divulgadas pelo A TARDE, apesar da verba milionária, o município gastou pouco mais de R$ 187,5 milhões com saúde no ano em que recebeu o repasse — e os problemas continuam sem solução. A cidade conta com 47 Unidades Básicas de Saúde (UBS) distribuídas por cinco distritos e uma população de aproximadamente 182 mil habitantes.

Publicidade

Moradores ouvidos pelo A TARDE, sob sigilo, relataram que exames chegam a ter espera de até um ano e que os casos mais complexos acabam sobrecarregando o Hospital Regional Luís Eduardo Magalhães — por falta de atendimento resolutivo na rede municipal. "A cidade cresceu muito, mas não houve avanço nesse sentido", afirmou uma das fontes ao veículo baiano.

Na decisão, Dino destacou que a execução orçamentária deve observar princípios de transparência, rastreabilidade, publicidade e controle social, permitindo a identificação precisa da origem da indicação e do destino dos recursos. O ministro advertiu, contudo, que nem toda irregularidade administrativa configura automaticamente ilícito penal, cuja caracterização depende da apuração das condutas e responsabilidades individuais.

A emenda foi registrada sob a rubrica de "Incremento Temporário ao Custeio dos serviços de assistência hospitalar e ambulatorial", segundo a fonte original. Por essa natureza, os recursos caem diretamente nos fundos municipais de saúde sem vinculação específica de gasto — o que dificulta o rastreamento de sua aplicação. A investigação segue em curso, e as perguntas dos moradores de Porto Seguro ainda aguardam resposta.

Publicidade

Leia também