O empresário João Carlos Mansur, que já comandou a gestora de fundos Reag, assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele é investigado no caso que envolve o Banco Master. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (2) pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo o que foi apurado, a colaboração aconteceu sem a participação da Polícia Federal. Antes de fechar com a PGR, Mansur havia assinado apenas um termo de confidencialidade com a PF, mas as tratativas com a corporação não evoluíram.
O acordo já foi enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por decidir se homologa ou não a delação. Para que isso aconteça, Mansur precisa reconhecer os crimes cometidos e apresentar provas que sustentem as informações repassadas. Mendonça também deve marcar uma audiência para confirmar se o empresário aceitou colaborar de forma voluntária.
Ao todo, Mansur entregou 17 anexos à Procuradoria. A maior parte do material trata do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mas os documentos também citam nomes ligados à política baiana, como o senador Jaques Wagner (PT) e o ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo do estado, ACM Neto (União Brasil).
Mansur foi alvo, em janeiro, da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apurou o uso de fundos para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. Depois da ação, o Banco Central decretou a liquidação da Reag, apontando comprometimento da saúde financeira da gestora e violações graves às regras do Sistema Financeiro Nacional.
O nome da Reag também aparece em outras apurações, ligadas ao banco BRB e à Operação Carbono Oculto. Em 2024, fundos administrados pela gestora foram usados em movimentações de aumento de capital do Banco de Brasília consideradas suspeitas pela Polícia Federal.
Mansur nega qualquer irregularidade na condução da Reag. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado, ele classificou a gestora como "grande e independente".
O patrimônio declarado pelo empresário à Receita Federal cresceu de forma expressiva em um ano: passou de R$ 748,7 milhões, em 2023, para R$ 1,49 bilhão, em 2024. Segundo a apuração, esse salto ocorreu principalmente pela valorização das ações que ele possui na Lurix Participações.







