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Política

Crítica de Lula sobre celibato causa revolta entre católicos

Presidente ligou crescimento menor da Igreja Católica ao celibato em evento com evangélicos no Planalto

Redação ChicoSabeTudo
18 de setembro, 2026 · 11:59 2 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na quarta-feira (16), que a Igreja Católica cresce menos que a evangélica por "não acabar com o celibato". A declaração foi dada durante encontro com lideranças evangélicas no Palácio do Planalto.

No evento, Lula também disse que mulheres encontram mais espaço em igrejas evangélicas do que na estrutura católica, onde não podem ocupar cargos como padre ou bispo. Segundo o presidente, ele já teria feito a mesma observação diretamente ao papa Francisco.

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"Falei pro papa Francisco, 'enquanto a Igreja Católica não acabar com celibato e permitir que mulheres possam ser bispos, padres, a gente vai ver Igreja Católica passando dificuldade'", disse Lula, durante o encontro.

A reunião contou com a participação de lideranças evangélicas brasileiras e estrangeiras, além da primeira-dama Janja Lula da Silva, do ministro da AGU Jorge Messias e do pastor Kleber Lucas. Lula ainda afirmou que não realiza atos políticos dentro de igrejas por respeito à fé dos fiéis.

A fala ocorre a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições. Segundo apuração da coluna do PlatôBR, até aliados do presidente não entenderam o motivo da declaração, especialmente por Lula aparecer, em pesquisas, com desempenho melhor entre eleitores católicos do que entre evangélicos, público que tende a votar mais em Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A reportagem apurou ainda que a reação entre cardeais foi de incompreensão e espanto. Um cardeal e arcebispo, que não teve o nome revelado, comentou o episódio: "Eu só teria a dizer: '¿Por qué no te callas, Lula?'".

Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, mostram que 56,7% da população brasileira se declara católica — o menor percentual da série histórica, iniciada em 1872. Já o número de evangélicos passou de 21,6% em 2010 para 26,9% em 2022, o maior patamar já registrado.

Durante o encontro, Lula fez um aceno ao eleitorado evangélico, afirmando que "vamos precisar muito das igrejas ano que vem". Críticos, segundo o Brazil Urgente, interpretaram a interferência do presidente na doutrina de uma vertente religiosa como um excesso de retórica dentro de um espaço oficial de governo.

Procurada, a Igreja Católica não havia se manifestado publicamente sobre a fala do presidente até a publicação desta matéria.

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