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Vírus troca chave Pix na hora do "colar" e desvia seu dinheiro sem você perceber

Especialistas em segurança digital alertam para o clipboard hijacking, fraude que sequestra a área de transferência do celular e substitui chaves financeiras em segundos.

Redação ChicoSabeTudo
29 de junho, 2026 · 12:36 3 min de leitura
Mão segurando celular com tela de transferência Pix aberta
Mão segurando celular com tela de transferência Pix aberta

Você copia uma chave Pix, cola no aplicativo do banco e acredita que está pagando a pessoa certa. Mas o dinheiro vai parar na conta de um criminoso. Esse é o mecanismo do clipboard hijacking — ou sequestro da área de transferência —, uma fraude digital que especialistas em segurança estão alertando com cada vez mais urgência no Brasil.

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O golpe funciona de forma silenciosa. Quando o usuário copia uma chave Pix, um endereço de criptomoeda ou outro dado importante, um malware substitui automaticamente essa informação por outra controlada pelos criminosos. Como a alteração ocorre de maneira discreta, muitas vítimas acabam colando e utilizando o dado falso sem notar a troca.

A técnica afeta usuários de Android e iOS e tem sido usada no Brasil para roubar dados de Pix, acessar contas bancárias e realizar transferências. O perigo está justamente na naturalidade do gesto: copiar e colar é algo que qualquer pessoa faz dezenas de vezes por dia, sem desconfiança.

A infecção costuma ocorrer por meio da instalação de aplicativos e programas pirateados obtidos fora das lojas oficiais, anexos enviados em e-mails maliciosos e até páginas falsas que utilizam CAPTCHA ou janelas pop-up para instalar códigos nocivos. Após infectar o aparelho, o vírus permanece oculto e só entra em ação quando identifica informações consideradas valiosas.

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Versões mais avançadas do malware são ainda mais perigosas. Alguns malwares conseguem reconhecer diferentes formatos de dados e gerar automaticamente um endereço compatível com o tipo de informação copiada, reduzindo as chances de despertar suspeitas. Ou seja: se você copiar um CPF, o vírus entrega um CPF falso. Se copiar uma chave de e-mail, ele troca por outro e-mail — tudo de forma automática.

Tanto o Android quanto o iOS já foram alvos confirmados dessa ameaça. No sistema da Apple, uma vulnerabilidade existente na versão 14, lançada em 2020, permitia que qualquer aplicativo acessasse a área de transferência sem autorização do usuário. A sincronização entre iPhone, Mac e iPad ampliava ainda mais o risco. Após a repercussão, a Apple passou a exigir permissões específicas, notificações de acesso e implementou novas camadas de proteção.

O Android também restringiu o acesso à área de transferência a partir de 2019 e, com o Android 13, adicionou recursos como alertas de leitura e exclusão automática do conteúdo copiado. Mesmo assim, especialistas alertam que o sistema do Google continua mais vulnerável, já que aplicativos maliciosos conseguem, em alguns casos, chegar até a Play Store disfarçados de ferramentas comuns.

Detectar o ataque não é tarefa fácil. Antivírus também enfrentam dificuldades para barrar o ataque, já que os arquivos maliciosos são leves e ofuscados. Além disso, as regras recentes de estorno de Pix ainda não são amplamente utilizadas, o que amplia os prejuízos para as vítimas.

Para quem usa Pix com frequência — e no Nordeste, assim como no restante do Brasil, o sistema de pagamento instantâneo é parte do dia a dia —, a atenção antes de confirmar qualquer transferência é a principal linha de defesa. As recomendações de segurança incluem: conferir os primeiros e os últimos caracteres da chave Pix antes de concluir o pagamento; priorizar pagamentos por QR Code em vez de copiar e colar chaves; confirmar dados sensíveis por outros canais antes de enviar o dinheiro; evitar aplicativos pirateados ou obtidos fora das lojas oficiais; e manter antivírus, antimalwares e o sistema operacional sempre atualizados.

O especialista Lucas Lago, membro do Instituto Aaron Swartz de Ciberativismo, reforça que a principal dica é não fazer Pix sem checar a pessoa que vai receber o dinheiro. "Os aplicativos vão indicar nome, conta e outras informações da pessoa que você está fazendo a transferência. É importante conferir isso sempre", diz Lago. Ele também orienta a verificar antes os links no Google e se o nome que aparece ali está correto.

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