A Prefeitura de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, está pagando R$ 10 a pescadores por cada peixe-leão capturado no litoral do município. O animal é entregue à Colônia de Pescadores Z-22, que faz parte da iniciativa junto com pesquisadores e órgãos ambientais.
A medida vale desde agosto e busca conter o avanço dessa espécie, considerada invasora na costa brasileira. Somente no primeiro mês de pagamento, 442 peixes-leão foram entregues ao projeto, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
O peixe-leão é originário da região indo-pacífica e não tem predadores naturais no litoral brasileiro. Por isso, preocupa pesquisadores: a espécie pode afetar a biodiversidade marinha e também representa risco à saúde de banhistas e mergulhadores. Seus espinhos inoculam uma toxina que pode causar dor, vermelhidão e febre, e em casos mais graves, convulsões.
Depois de capturados, os exemplares seguem para a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde passam por triagem, biometria e outros estudos.
A ação foi estruturada depois dos primeiros registros da espécie na região de Porto Seguro, no fim de 2025. De acordo com a Folha de S.Paulo, o primeiro peixe-leão identificado dentro do Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, área de proteção na região, foi registrado em 12 de junho de 2026. Um segundo indivíduo no parque foi confirmado em 10 de setembro deste ano.
Para organizar as ações de combate à espécie, a prefeitura elaborou o Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão, publicado em agosto. O documento reúne medidas de monitoramento, captura, pesquisa, capacitação de pescadores, comunicação com a população e articulação entre diferentes setores.
Segundo a Folha, a iniciativa reúne as áreas municipais de Meio Ambiente, Pesca, Turismo e Saúde, além da UFSB, da Colônia Z-22, operadores de mergulho e outros órgãos ambientais.
Martina Rossato, oceanóloga e gestora do Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, afirmou à Folha que o peixe-leão tem grande potencial de predação, reprodução e ocupação de espaços marinhos, exercendo pressão importante sobre espécies nativas. Ela também disse que a ideia do programa não é manter o pagamento por indivíduo capturado indefinidamente.
A região de Porto Seguro tem ambientes recifais, bancos de rodolitos e alta diversidade de peixes e invertebrados, características que aumentam a preocupação com os possíveis impactos da espécie invasora sobre o ecossistema local.
Um levantamento da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), de janeiro de 2026, já apontava articulação do estado para enfrentar o peixe-leão, com registro da espécie desde fevereiro de 2025 em municípios como Salvador, Itaparica, Cairu, Maraú, Prado e Cumuruxatiba. Não foram encontradas, na apuração, ocorrências ou ações específicas envolvendo peixe-leão em Paulo Afonso ou em municípios da região do Médio São Francisco.







