Um projeto criado para salvar os manguezais de Alagoas acaba de ganhar projeção nacional. O Pró-Manguezais foi anunciado como finalista da 16ª edição do Prêmio Hugo Werneck de Meio Ambiente e Sustentabilidade, considerado o "Oscar" do meio ambiente no Brasil. Os vencedores serão conhecidos em cerimônia no dia 8 de junho, que será realizada em Belo Horizonte (MG).
Idealizado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL), o programa foi lançado oficialmente em 2022 e pretende incentivar a proteção e a preservação dos mangues em Alagoas. O projeto reúne órgãos públicos, instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil em ações voltadas à preservação e recuperação desses ambientes, considerados essenciais para a biodiversidade, a proteção da zona costeira e a subsistência de comunidades tradicionais.
O projeto tem como objetivo promover a preservação e a recuperação dos manguezais, ecossistemas estratégicos para a biodiversidade, além de desenvolver ações voltadas à educação ambiental, à cartografia social e ao fortalecimento da participação das comunidades locais na defesa desses territórios.
O alcance da iniciativa vai além dos laboratórios e dos gabinetes. Entre as atividades do programa estão oficinas de cartografia social a serem realizadas nos municípios envolvidos no projeto-piloto — Coruripe, Marechal Deodoro e Barra de São Miguel — com a participação direta das comunidades. Em 2024 começou o projeto-piloto, que deverá fomentar a implantação de viveiros e a reabilitação ambiental de áreas selecionadas.
Para a promotora de Justiça Lavínia Fragoso, titular da 5ª Promotoria de Justiça da Capital e coordenadora do Pró-Manguezais pelo MPAL, a indicação como finalista de um prêmio tão importante é um reconhecimento ao trabalho realizado a tantas mãos em Alagoas, que agora se torna referência para o Brasil.
A rede institucional por trás do projeto é extensa. Além do MPAL e do MPF, o Pró-Manguezais conta com a participação do IMA, Ibama/AL, IPMA, SPU/AL, SEMARH, UFAL, Instituto Biota de Conservação, Nosso Mangue, secretarias municipais de meio ambiente de Barra de São Miguel, Marechal Deodoro e Coruripe e, mais recentemente, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
O cenário que motivou a criação do projeto é preocupante. Na região Nordeste, os manguezais sofrem com altos índices de fragmentação: cerca de 40% da cobertura original foi suprimida. Entre os principais vetores de degradação estão as atividades de aquicultura, salinicultura, turismo desordenado e a poluição urbana, especialmente esgoto e resíduos plásticos.
O prêmio que o projeto disputa tem peso histórico. O Prêmio Hugo Werneck de Meio Ambiente e Sustentabilidade foi criado em 2010 em homenagem ao ambientalista mineiro Hugo Werneck (1919–2008), um dos precursores da consciência ecológica na América Latina e fundador do Centro para a Conservação da Natureza. A premiação acumula mais de mil inscrições e indicações recebidas, e mais de 186 vencedores e homenageados até hoje.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), mais de 500 mil brasileiros — entre pescadores e comunidades tradicionais — dependem diretamente dos recursos oferecidos pelos manguezais. É exatamente esse público que o Pró-Manguezais busca proteger junto com o ecossistema. O resultado da 16ª edição do prêmio será anunciado no próximo dia 8 de junho.







