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Faixa azul da Bonocô: zero morte em um ano empurra Salvador a expandir motofaixa para ACM e Juracy

Primeiro corredor exclusivo para motos de Salvador chegou ao aniversário sem nenhuma morte registrada diretamente na faixa — resultado que abre caminho para novas implantações nas principais avenidas da cidade.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
19 de maio, 2026 · 08:13 3 min de leitura
Motofaixa da Avenida Bonocô em Salvador, demarcada com linhas tracejadas azuis e brancas no asfalto
Motofaixa da Avenida Bonocô em Salvador, demarcada com linhas tracejadas azuis e brancas no asfalto

A primeira motofaixa de Salvador chegou ao primeiro aniversário com um número que a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) não esconde: zero morte registrada diretamente no corredor exclusivo para motocicletas da Avenida Bonocô. O resultado animou a prefeitura da capital baiana a estudar a ampliação da faixa azul para outras vias de grande fluxo, como as avenidas Antônio Carlos Magalhães (ACM) e Juracy Magalhães.

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O espaço foi inaugurado em 10 de março de 2025, nos dois sentidos da Avenida Mário Leal Ferreira — o nome oficial da Bonocô. Salvador foi a terceira capital do país a receber autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para implantar a estratégia viária. A motofaixa foi desenhada entre as faixas 1 e 2, de cada sentido, a partir do canteiro central, e demarcada com linhas tracejadas nas cores azul e branco.

Segundo informações divulgadas pela Transalvador, de março de 2025 até o fim de abril deste ano, 85 acidentes foram registrados na Bonocô — 79 deles com motos. Desses, nenhum ocorreu dentro da motofaixa. No total, 102 pessoas ficaram feridas e nenhuma morreu. No primeiro mês após a implantação, os acidentes com motos no trecho já haviam caído quase 60%, segundo a Transalvador.

O contraste com o período anterior é direto. Segundo a Transalvador, no ano anterior à implantação da motofaixa, a Bonocô registrou 65 acidentes, sendo 41 com motos, 56 feridos e duas mortes. O superintendente Diego Brito avaliou que a faixa exclusiva não resolve todos os problemas do trânsito, mas apresentou resultados expressivos: "A motofaixa não é a bala de prata. Mas ajudou muito. Logo nos primeiros meses, registramos uma redução de 40% nas ocorrências. É uma medida que está trazendo resultado."

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Os números positivos da Bonocô chegam num momento em que a segurança dos motociclistas segue como maior desafio do trânsito em Salvador. Segundo informações da Transalvador, nos dois primeiros meses de 2025, 464 acidentes com motos foram registrados na cidade, com 11 mortes. Em todo o ano de 2024, foram 3.063 acidentes e 84 mortos. Em todo 2024, o número de vítimas fatais em acidentes com motos chegou a 84 na cidade — e, comparado ao total de mortes no trânsito (142 mortes), 59% foram de sinistros envolvendo esse tipo de veículo.

O cenário no estado é ainda mais grave. A Bahia encerrou 2024 com o pior índice de mortes no trânsito dos últimos 25 anos: foram 2.993 vítimas em acidentes de transportes terrestres, uma média de oito mortos por dia, segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Só de internações por acidentes com motos, foram 12.888 casos na Bahia em 2024 — mais que o dobro de 2014, crescimento de 117% em uma década.

Diante dos resultados da Bonocô, Diego Brito adiantou que já existe um plano para expandir a iniciativa para outras vias importantes de Salvador. A Transalvador informou que os estudos para implantação nas avenidas ACM e Juracy Magalhães estão em fase de análise técnica, levando em conta volume de tráfego, características geométricas, segurança viária e comportamento dos condutores. Segundo o órgão, já foi enviado um ofício à Senatran pedindo autorização para as novas implantações.

O presidente do Sindicato dos Motociclistas, Motoboys e Mototaxistas do Estado da Bahia (Sindmoto/Ba), Marcelo Barbosa, afirmou que a faixa tem sido um sucesso e reivindica ampliação: "Os motociclistas estão tendo mais segurança. Estamos pedindo a colocação de mais motofaixas nas vias de grande circulação, como a Avenida Luís Viana Filho e a Antônio Carlos Magalhães."

A velocidade máxima da Bonocô foi reduzida de 70 para 60 km/h como exigência da Senatran para a instalação da motofaixa. Apesar da inclusão da motofaixa, cada sentido da avenida continua com quatro faixas para circulação de veículos. Segundo informações divulgadas pela Transalvador, a frota de motos emplacadas em Salvador já passa de 200 mil unidades — contra 160.661 em 2020 —, sem contar as motocicletas de outros municípios que circulam diariamente pela capital.

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