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El Niño no comando: meteorologista alerta para inverno com chuvas abaixo da média no Nordeste

Especialista da Semarh de Alagoas explica como o fenômeno climático vai dividir a estação em duas fases e ameaça recursos hídricos e lavouras no pós-inverno.

Redação ChicoSabeTudo
20 de junho, 2026 · 19:06 3 min de leitura
Céu nublado sobre o sertão nordestino durante o inverno, com vegetação da caatinga ao fundo
Céu nublado sobre o sertão nordestino durante o inverno, com vegetação da caatinga ao fundo

O inverno de 2026 começou oficialmente neste domingo (21) e já chega com alerta. Segundo o meteorologista Vinícius Pinho, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh), a estação deve ser menos rigorosa que o habitual — e o principal culpado tem nome: El Niño.

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Para o especialista, a estação se divide em duas partes bem distintas. Na primeira metade, ainda sob influência do período chuvoso, o Nordeste deve registrar volumes mais expressivos de precipitação e temperaturas um pouco mais amenas, com ventos de sul e sudeste trazendo umidade. Já na segunda metade, a partir do final de agosto e em setembro, a tendência é de céu mais seco, calor gradual e ventos virando para sudeste e leste — direção que não carrega tanto frio.

O diagnóstico de Pinho bate com o prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet): a estação será marcada por chuvas abaixo da média em grande parte do país, temperaturas acima dos padrões históricos em diversas regiões e pela atuação de um episódio de El Niño de forte intensidade.

No Nordeste, o cenário é de atenção redobrada. O Nordeste e o extremo norte do país devem manter um padrão mais seco, com a costa leste nordestina apresentando chuvas abaixo da média em julho, agosto e setembro. A situação já vinha se desenhando antes mesmo do inverno: segundo Pinho, abril, maio e junho registraram volumes abaixo da normalidade em todo o estado de Alagoas.

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A preocupação mais grave, porém, está no que vem depois do inverno. O meteorologista alerta que a falta de recarga hídrica adequada neste período vai potencializar a seca nos meses seguintes, com reflexos diretos nos reservatórios, no custo de produção agrícola e nas lavouras. O cenário favorece também o aumento das queimadas e incêndios florestais, além de contribuir para o agravamento de problemas respiratórios e outros impactos à saúde da população.

Para a Bahia e demais estados do Nordeste, o quadro é igualmente preocupante. O prognóstico aponta chuva abaixo da média em grande parte da região, com volumes próximos da média apenas em áreas como o centro-oeste da Bahia, o centro-sul do Piauí, o extremo sul do Maranhão e o extremo oeste de Pernambuco. Na região do São Francisco — que abastece estados do Nordeste e depende das chuvas nas cabeceiras —, a situação exige atenção constante dos gestores hídricos.

Apesar do panorama seco, Pinho não descarta eventos extremos. Ele lembrou que, em anos de El Niño, é comum ocorrerem longos períodos sem chuva seguidos de precipitações intensas e concentradas. Perturbações vindas do Atlântico — as chamadas ondas de leste — podem, ao se combinar com frentes frias do sul, provocar chuva muito intensa em um ou dois dias. Por isso, o monitoramento contínuo é fundamental.

O Inmet já emitiu alerta amarelo de acumulado de chuvas para 73 cidades de Alagoas, válido até o final da noite deste domingo. O inverno se estende até 22 de setembro. Com base em informações da Noaa, a partir de setembro até fevereiro de 2027, existe grande chance de o El Niño ser muito forte, quando a elevação da temperatura da água supera 2,5°C. O cenário reforça que a vigilância climática não pode baixar a guarda antes do fim da estação.

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