O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deflagrou, na manhã deste sábado (1º), a Operação Perjúrio. A ação resultou no cumprimento de seis mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais localizados em Salvador e Feira de Santana.
Quatro advogados estão na mira da investigação. Segundo o MP-BA, eles são suspeitos de praticar fraude processual, estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Os nomes dos investigados não foram divulgados pelas autoridades.
O modus operandi apurado pelo Ministério Público envolve o uso de documentos falsificados — em especial comprovantes de residência — para ingressar com ações judiciais em larga escala. Os alvos principais seriam instituições financeiras. Durante as diligências deste sábado, os agentes encontraram comprovantes adulterados e registros de movimentações financeiras consideradas atípicas.
O volume financeiro em questão impressiona: segundo as investigações, as transações suspeitas somam cerca de R$ 723 milhões movimentados entre 2019 e 2025. O período de seis anos indica que o esquema teria operado de forma sistemática e estruturada ao longo do tempo.
As apurações indicam que o grupo não atuava sozinho no campo jurídico. Segundo o MP-BA, o esquema envolvia também empresas dos setores de consultoria empresarial, cobrança, recuperação de crédito e manutenção de equipamentos eletrônicos — o que sugere uma estrutura montada para dar aparência de legalidade às operações.
A Operação Perjúrio se insere em um contexto mais amplo de combate a fraudes processuais na Bahia. Nos últimos meses, o MP-BA já havia deflagrado outras operações de grande repercussão, incluindo ação conjunta com a Polícia Federal contra grupo suspeito de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro, além de operação que resultou na prisão de advogados suspeitos de atuar como "núcleo jurídico" de organizações criminosas em presídios do estado.
A fraude processual com uso de documentos falsos contra bancos é um tipo de golpe que preocupa o sistema de justiça brasileiro. Dados revelam um crescimento contencioso de 136,9% nesse tipo de litígio, concentrado nos tribunais de São Paulo, Bahia e Paraíba. O cenário reforça a relevância de operações como a deflagrada neste sábado.
As investigações seguem em andamento. O MP-BA não informou se há previsão de indiciamentos formais ou pedidos de prisão dos investigados nas próximas etapas da operação.







