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Três médicos são afastados pela Justiça após mutirão de catarata deixar idosos sem visão em Salvador

Decisão judicial saiu nesta quarta (20) a pedido da delegacia do idoso; pelo menos 13 pacientes perderam parcial ou totalmente a visão após procedimentos na Clínica Clivan, na Avenida Garibaldi.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
20 de maio, 2026 · 16:44 2 min de leitura
Fachada de clínica oftalmológica interditada em Salvador após casos de perda de visão em mutirão de catarata
Fachada de clínica oftalmológica interditada em Salvador após casos de perda de visão em mutirão de catarata
PI 637

A Justiça determinou o afastamento imediato de três médicos investigados por suspeitas de irregularidades em um mutirão de cirurgias de catarata realizado em Salvador. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (20) pela Polícia Civil da Bahia e atinge profissionais que atuavam na Clínica Clivan, localizada na Avenida Anita Garibaldi.

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De acordo com as investigações, o mutirão ocorreu no dia 26 de fevereiro. Dos 138 idosos submetidos aos procedimentos, 33 apresentaram complicações no pós-operatório, segundo informações divulgadas pelo portal Voz da Bahia. Entre os casos monitorados pelas autoridades, ao menos 13 pacientes tiveram perda parcial ou total da visão, conforme confirmou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador.

Os casos mais graves envolveram infecções severas e necessidade de evisceração ocular — cirurgia em que o conteúdo interno do olho é removido. Pacientes relataram dores intensas, sangramento e perda progressiva da visão nos dias seguintes às cirurgias.

O afastamento dos médicos foi expedido pela 1ª Vara das Garantias de Salvador, a pedido da Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati), ligada ao Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV). Segundo a Polícia Civil, o objetivo é evitar interferências nas investigações e preservar elementos essenciais para a apuração. Durante a operação, equipes policiais também cumpriram mandados de busca e apreensão na clínica, recolhendo documentos cirúrgicos, receitas, notas fiscais e equipamentos eletrônicos, que foram encaminhados ao Departamento de Polícia Técnica (DPT).

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A clínica já havia sido interditada pela SMS no início de março, logo após as primeiras denúncias. A Secretaria também suspendeu o contrato da unidade com o município. A pasta informou ainda que o mutirão não havia sido autorizado pela Prefeitura de Salvador, o que, segundo o órgão, descumpre o fluxo regular de regulação do SUS e configura irregularidade grave. Apesar de ser uma instituição privada, a Clivan realizava atendimentos por meio de convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS).

A Polícia Civil contabiliza dezenas de registros no caso, entre denúncias de lesão corporal culposa e possíveis infrações sanitárias. As investigações também analisam indícios de crimes envolvendo risco à saúde dos pacientes. Testemunhas já foram ouvidas, e laudos periciais estão em curso para determinar a causa das complicações.

Em nota, a Clínica Clivan afirmou que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram seguidos e classificou o episódio como pontual, ressaltando que realiza mais de 8 mil cirurgias por ano. A unidade disse ainda que permanece acompanhando os pacientes e colaborando com as investigações. O Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) foi notificado e realizou fiscalização no local, com relatório técnico em elaboração.

Os pacientes afetados, em sua maioria idosos, seguem sendo acompanhados pela rede municipal de saúde. O caso chegou ao conhecimento da Polícia principalmente por meio de boletins de ocorrência registrados na Deati por familiares das vítimas.

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