Quem sofre de dores de cabeça frequentes já se perguntou, ao menos uma vez, se aquela dor poderia ser algo mais grave. A resposta mais comum é tranquilizadora: na grande maioria dos casos, não se trata de câncer cerebral. Mas isso não significa que qualquer cefaleia persistente deva ser ignorada.
O neurocirurgião Aldo Calaça, coordenador do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia da Santa Casa de Maceió, esclareceu o tema durante participação no quadro "Responde Aí, Doutor!", publicado no perfil do hospital no Instagram. Segundo ele, a enxaqueca é a causa mais comum de dor de cabeça e pode se manifestar de diferentes formas, tendo a cefaleia como principal sintoma.
O alerta do especialista é direto: quando a dor de cabeça é persistente, difícil de controlar ou vem acompanhada de outros sintomas, é preciso buscar avaliação médica. Dores de cabeça frequentes que não se encaixam nos padrões habituais, ou qualquer sinal neurológico incomum, indicam a necessidade de orientação de um neurologista ou neurocirurgião.
De acordo com o médico, os sintomas ligados a tumores cerebrais variam conforme a localização e o crescimento da lesão. Entre os sinais que merecem atenção estão dor de cabeça persistente, náuseas, vômitos, alterações visuais e perda do equilíbrio. Outros pontos de alerta incluem início recente de dores de cabeça em adulto acima de 40 anos, piora progressiva sem resposta a analgésicos comuns e associação com qualquer sintoma neurológico como fraqueza, formigamento ou alteração de fala.
Uma distinção importante foi destacada pelo neurocirurgião: tumor cerebral e câncer cerebral não são sinônimos. Os tumores benignos são não cancerígenos e, geralmente, crescem lentamente, sem se espalhar para outras áreas do cérebro. Já os tumores malignos são compostos por células cancerígenas e têm maior potencial de crescimento rápido e invasão em tecidos circundantes. Segundo o médico, quando um tumor benigno é completamente removido e os exames confirmam sua natureza, o paciente pode ser considerado curado.
Já os tumores malignos, chamados de câncer cerebral, costumam crescer mais rapidamente e exigem um acompanhamento mais amplo, que envolve cirurgia, radioterapia e quimioterapia. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 11.100 novos casos de tumores cerebrais e do sistema nervoso central, sendo 5.870 em homens e 5.230 em mulheres.
Na Santa Casa de Maceió, o tratamento é feito de forma integrada entre as equipes de neurologia, neurocirurgia e oncologia. Após exames de imagem e confirmação do diagnóstico, cada paciente passa por avaliação individualizada para definição da melhor conduta. O neurocirurgião ressaltou que os resultados variam porque cada tumor tem características e respostas diferentes ao tratamento.
A orientação final do especialista é clara: qualquer mudança no padrão habitual da dor de cabeça ou o surgimento de alterações neurológicas exige acompanhamento médico. A detecção precoce de um tumor cerebral pode fazer toda a diferença no sucesso do tratamento e na melhoria da qualidade de vida. Não há motivo para pânico diante de uma dor de cabeça comum, mas tampouco para descuido quando os sinais fogem do ordinário.







