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Saúde

Gripe sem vacina: só 1 em cada 3 brasileiros se imunizou e Nordeste também fica atrás da meta

Campanha nacional enfrenta baixa procura nos postos de saúde; em Maceió, cobertura vacinal mal ultrapassa 32% — cenário que se repete em todo o país e acende alerta das autoridades

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
19 de maio, 2026 · 12:40 3 min de leitura
Profissional de saúde aplicando vacina contra gripe em posto de saúde
Profissional de saúde aplicando vacina contra gripe em posto de saúde

A campanha nacional de vacinação contra a influenza segue com procura bem abaixo do esperado. No Brasil, apenas 33,32% do público-alvo recebeu a dose até agora — número que preocupa autoridades de saúde em todo o país. Em Maceió, capital de Alagoas, o índice é ainda menor: 32,41%, mesmo com mais de 120 mil doses já aplicadas desde o início da campanha, segundo informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

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O problema não é novo. A cobertura vacinal do imunizante caiu ao longo dos últimos anos — em 2024 ficou em 54%, bem abaixo da meta de 90%. Para tentar reverter esse quadro, em 2025 a estratégia foi ampliada e o imunizante foi incorporado ao Calendário Nacional de Vacinação para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais, sendo ofertado ao longo de todo o ano.

Na Bahia, a campanha arrancou com fôlego. Com o início da mobilização e a realização do Dia D, 164 mil doses foram aplicadas no estado logo no começo. A Bahia chegou a registrar mais de 1,2 milhão de doses aplicadas, colocando o estado na quinta posição no ranking nacional de imunizações contra a gripe. Mas, mesmo com esse desempenho inicial, a cobertura ainda está longe da meta de 90%.

Os grupos prioritários são crianças de 6 meses a 10 anos, gestantes, pessoas com comorbidades, idosos a partir de 50 anos e trabalhadores incluídos pelo Ministério da Saúde, como profissionais da imprensa — conforme informações divulgadas pela SMS de Maceió. A campanha também contempla trabalhadores da saúde, professores, pessoas com deficiência permanente, povos indígenas e população privada de liberdade.

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Pesquisadores da Fiocruz alertam para a baixa adesão à vacinação, especialmente entre os grupos prioritários, ao mesmo tempo em que estudos confirmam que as vacinas utilizadas foram eficazes contra as principais cepas em circulação no país. Ampliar a cobertura vacinal é fundamental para fortalecer a proteção coletiva e reduzir o risco de casos graves e hospitalizações.

Os números mostram por que essa preocupação é justificada. Dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) apontaram que, em 2024, as mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave causada pela influenza aumentaram 157% entre os hospitalizados, com taxa de letalidade de 21,7% — um óbito a cada cinco idosos hospitalizados.

Para tentar aumentar a procura, a SMS de Maceió intensificou as ações. Segundo o órgão, a vacina está disponível em todas as unidades de saúde da capital durante o horário regular. Além disso, 24 unidades funcionam com horário estendido no esquema "Corujão da Saúde". A vacinação também pode ser feita nos shoppings Maceió e Pátio, diariamente das 12h às 21h, e no Centro de Atendimento ao Turista (CAT), no Mercado da Produção, no bairro da Levada. Ações em escolas também estão sendo realizadas com foco em estudantes e profissionais da educação.

O vírus da gripe sofre mudanças frequentes, e por isso a vacinação anual é fundamental. A imunização pode reduzir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias e entre 39% e 75% a mortalidade global por doenças relacionadas à influenza. Quem ainda não se vacinou e pertence a algum grupo prioritário deve procurar o posto de saúde mais próximo com documento de identidade e cartão do SUS.

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