O mosquito Aedes aegypti está se espalhando em Aracaju. O terceiro Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2026, divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), apontou índice geral de 1,9%, classificado como médio risco para possíveis surtos de arboviroses. O número preocupa porque revela uma escalada persistente ao longo do ano.
Realizado entre os dias 4 e 8 de maio, o levantamento identificou crescimento progressivo da infestação. Em janeiro, o índice foi de 0,9%; em março, 1,2%; e agora, em maio, chegou a 1,9% — mais que dobrando no acumulado do período.
Dos 42 bairros avaliados, 18 apresentaram baixo risco, 26 ficaram em médio risco e quatro registraram alto risco para infestação: Cirurgia, com índice de 9,4; Cidade Nova, Santo Antônio e Grageru. Esses bairros concentram os maiores focos ativos da capital e receberam atenção reforçada das equipes de saúde.
A coordenadora da Vigilância em Saúde da SMS, Duanne Marcele, explicou que fatores climáticos e o armazenamento doméstico de água têm contribuído diretamente para o aumento da infestação. Os meses de março e abril marcam o início do período de chuvas em Sergipe, cenário que favorece o acúmulo de água e acelera o ciclo reprodutivo do mosquito. Ela apontou ainda que moradores têm armazenado água para compensar o desabastecimento em vários bairros, o que cria ambientes propícios para o desenvolvimento do vetor.
Como resposta imediata, a SMS intensificou as ações nos bairros com maior incidência. As equipes de combate às endemias atuam em regime de mutirão nos quarteirões mais críticos dos bairros Cirurgia, Cidade Nova e Grageru.
Entre março e abril deste ano, os agentes realizaram 82.590 visitas domiciliares, vistoriaram 1.662 pontos estratégicos e executaram 168 tratamentos focais com larvicida e 53 tratamentos perifocais com inseticida residual. O fumacê costal foi utilizado em 28 áreas de difícil acesso, alcançando 434 quarteirões e 23.862 imóveis.
No mesmo período, Aracaju confirmou 13 casos de dengue, seis casos de chikungunya e não houve registro confirmado de zika vírus. O cenário em Sergipe acompanha uma tendência regional que também preocupa no Nordeste.
Na Bahia vizinha, o quadro é de atenção. Seis cidades estão em situação de epidemia de dengue, segundo balanço da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab): Alagoinhas, Campo Alegre de Lourdes, Maraú, Remanso, Santa Maria da Vitória e Uauá. Ainda assim, em 2026 a Bahia registrou uma redução de 41% no número de casos prováveis de dengue: até a 18ª Semana Epidemiológica foram notificados 10.162 casos e quatro óbitos, contra 17.236 casos e cinco mortes no mesmo período de 2025.
O período sazonal da dengue no Brasil concentra-se tipicamente entre outubro e maio, com pico de casos geralmente no primeiro semestre — embora a doença possa ser registrada durante todo o ano, com alta circulação viral. O alerta, portanto, não se restringe ao verão.
As autoridades lembram que os principais criadouros continuam sendo encontrados em ambientes domiciliares: caixas d'água, tonéis, calhas, pneus, vasos de plantas, ralos, lajes, entulhos e resíduos sólidos. A orientação é eliminar qualquer recipiente com água parada e receber os agentes de endemias nas visitas domiciliares.







