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Aedes aegypti avança em Aracaju: índice quase dobra em 2026 e quatro bairros entram em alto risco

Levantamento feito em maio aponta índice geral de 1,9% na capital sergipana — crescimento contínuo desde janeiro, quando estava em 0,9%. Cirurgia e Cidade Nova lideram os focos.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
20 de maio, 2026 · 16:59 3 min de leitura
Agente de endemias vistoriando imóvel em busca de focos do mosquito Aedes aegypti
Agente de endemias vistoriando imóvel em busca de focos do mosquito Aedes aegypti
PI 637

O mosquito Aedes aegypti está se espalhando em Aracaju. O terceiro Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2026, divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), apontou índice geral de 1,9%, classificado como médio risco para possíveis surtos de arboviroses. O número preocupa porque revela uma escalada persistente ao longo do ano.

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Realizado entre os dias 4 e 8 de maio, o levantamento identificou crescimento progressivo da infestação. Em janeiro, o índice foi de 0,9%; em março, 1,2%; e agora, em maio, chegou a 1,9% — mais que dobrando no acumulado do período.

Dos 42 bairros avaliados, 18 apresentaram baixo risco, 26 ficaram em médio risco e quatro registraram alto risco para infestação: Cirurgia, com índice de 9,4; Cidade Nova, Santo Antônio e Grageru. Esses bairros concentram os maiores focos ativos da capital e receberam atenção reforçada das equipes de saúde.

A coordenadora da Vigilância em Saúde da SMS, Duanne Marcele, explicou que fatores climáticos e o armazenamento doméstico de água têm contribuído diretamente para o aumento da infestação. Os meses de março e abril marcam o início do período de chuvas em Sergipe, cenário que favorece o acúmulo de água e acelera o ciclo reprodutivo do mosquito. Ela apontou ainda que moradores têm armazenado água para compensar o desabastecimento em vários bairros, o que cria ambientes propícios para o desenvolvimento do vetor.

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Como resposta imediata, a SMS intensificou as ações nos bairros com maior incidência. As equipes de combate às endemias atuam em regime de mutirão nos quarteirões mais críticos dos bairros Cirurgia, Cidade Nova e Grageru.

Entre março e abril deste ano, os agentes realizaram 82.590 visitas domiciliares, vistoriaram 1.662 pontos estratégicos e executaram 168 tratamentos focais com larvicida e 53 tratamentos perifocais com inseticida residual. O fumacê costal foi utilizado em 28 áreas de difícil acesso, alcançando 434 quarteirões e 23.862 imóveis.

No mesmo período, Aracaju confirmou 13 casos de dengue, seis casos de chikungunya e não houve registro confirmado de zika vírus. O cenário em Sergipe acompanha uma tendência regional que também preocupa no Nordeste.

Na Bahia vizinha, o quadro é de atenção. Seis cidades estão em situação de epidemia de dengue, segundo balanço da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab): Alagoinhas, Campo Alegre de Lourdes, Maraú, Remanso, Santa Maria da Vitória e Uauá. Ainda assim, em 2026 a Bahia registrou uma redução de 41% no número de casos prováveis de dengue: até a 18ª Semana Epidemiológica foram notificados 10.162 casos e quatro óbitos, contra 17.236 casos e cinco mortes no mesmo período de 2025.

O período sazonal da dengue no Brasil concentra-se tipicamente entre outubro e maio, com pico de casos geralmente no primeiro semestre — embora a doença possa ser registrada durante todo o ano, com alta circulação viral. O alerta, portanto, não se restringe ao verão.

As autoridades lembram que os principais criadouros continuam sendo encontrados em ambientes domiciliares: caixas d'água, tonéis, calhas, pneus, vasos de plantas, ralos, lajes, entulhos e resíduos sólidos. A orientação é eliminar qualquer recipiente com água parada e receber os agentes de endemias nas visitas domiciliares.

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