A carteira de identificação para pessoas com doença falciforme em Salvador já acumula mais de 100 pedidos desde o seu lançamento. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador lançou o documento no dia 3 de fevereiro, em mais um passo no fortalecimento das políticas públicas voltadas a esses pacientes. A adesão rápida mostra o quanto a iniciativa era esperada por quem convive com a condição.
A entrega simbólica das primeiras carteiras foi realizada na Escola de Saúde Pública de Salvador (ESPS), no bairro do Comércio, reunindo gestores da pasta, profissionais de saúde, representantes da sociedade civil e membros da Associação Baiana das Pessoas com Doença Falciforme (ABDFAL).
A carteira de identificação é emitida de forma totalmente digital, por meio da mesma plataforma utilizada pela SMS para a carteira de fibromialgia. Após aprovação, o documento poderá ser impresso e plastificado gratuitamente nas Prefeituras-Bairro. Para solicitar, o cidadão deve acessar o site da SMS e anexar RG, comprovante de residência, laudo médico e foto 3×4. O prazo para análise é de até 30 dias.
A iniciativa é coordenada pelo Campo Temático de Doença Falciforme da Subcoordenadoria de Cuidados Transversais, vinculada à Diretoria de Atenção Primária à Saúde (DAPS), e tem como objetivo qualificar a identificação dos pacientes, ampliar a visibilidade da condição, fortalecer a organização da rede de atenção e facilitar o acesso a direitos e serviços.
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Alves, destacou o valor estratégico do documento. "Essa carteira nos permite conhecer melhor quem são as pessoas que precisam de uma linha de cuidado mais específica. Com informação qualificada, conseguimos planejar, aprimorar e desenvolver políticas públicas mais assertivas. É um avanço importante na organização do cuidado e no reconhecimento das pessoas com Doença Falciforme em Salvador", afirmou.
O documento está em consonância com a Portaria SES/BA nº 548/2022, que institui a Política Estadual de Atenção Integral à Pessoa com Doença Falciforme na Bahia, prevendo a organização da rede de atenção com prioridade no cuidado a esses pacientes.
A Bahia tem o maior índice de incidência do país. A distribuição da doença no Brasil é bastante heterogênea, sendo a Bahia o estado de maior incidência: com mais de 76% da população composta por negros, a prevalência chega a 1 caso a cada 650 nascidos vivos. No país como um todo, a média é de um caso a cada mil nascidos vivos, com cerca de 3,5 mil novos casos por ano.
A Prefeitura de Salvador oferece atendimento especializado nos ambulatórios dos Multicentros Carlos Gomes e Vale das Pedrinhas. Nessas unidades, os pacientes contam com acompanhamento multiprofissional voltado ao diagnóstico, à prevenção de complicações e ao aconselhamento. As equipes são formadas por médicos hematologistas e hepatologistas pediátricos e adultos, além de psicólogos.
O diagnóstico da doença é realizado gratuitamente pelo teste do pezinho, disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da rede municipal para recém-nascidos entre o terceiro e o sétimo dia de vida. Para pessoas que não realizaram a triagem neonatal, a SMS também disponibiliza o exame laboratorial de eletroforese. Os pacientes acompanhados pela rede municipal têm acesso ainda à dispensação gratuita de medicamentos por meio da farmácia básica do município.
Dúvidas sobre a carteira podem ser esclarecidas pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (71) 3202-1050, conforme informações da SMS de Salvador.







