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Saúde

Reumatologista alerta: férias escolares viram armadilha para dores crônicas em crianças e adolescentes

Especialista de Alagoas aponta que sedentarismo digital nas férias, combinado ao excesso de peso, sobrecarrega articulações de jovens ainda em desenvolvimento.

Redação ChicoSabeTudo
23 de junho, 2026 · 06:57 3 min de leitura
Criança sentada no sofá usando tablet durante as férias escolares
Criança sentada no sofá usando tablet durante as férias escolares

As férias escolares de julho estão chegando, e com elas um alerta de saúde que já bate nas portas dos consultórios médicos de Alagoas. A reumatologista pediátrica Clarissa Valões observa um aumento expressivo nas queixas de dores nas costas, pescoço, ombros e joelhos em crianças e adolescentes logo após períodos prolongados de recesso escolar — e o principal suspeito é o excesso de tempo diante das telas.

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A especialista aponta que o problema vai além do cansaço comum das férias. Quando crianças passam semanas praticamente imóveis, jogando, rolando o feed ou assistindo a vídeos, o corpo em crescimento começa a dar sinais concretos de que algo não vai bem. "O corpo da criança foi feito para brincar, correr e explorar o ambiente", afirma a médica, segundo informações divulgadas pelo Cada Minuto.

O cenário se agrava quando se olha para os dados do estado. Levantamentos do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) revelam que, em Alagoas, uma em cada três crianças e adolescentes apresenta excesso de peso — e, na faixa dos 10 aos 19 anos, a taxa de sobrepeso subiu de 23% para 30% em uma década. Segundo a fonte original, o SISVAN também registra mais de 100 mil crianças entre 0 e 9 anos com excesso de peso no estado.

Para a reumatologista, essa combinação entre peso elevado e tempo estático representa uma "dupla sobrecarga": menos músculos fortalecidos para sustentar o corpo e mais carga sobre articulações ainda imaturas. O resultado aparece como dor, mas o risco real é a cronicidade. Hábitos posturais ruins repetidos diariamente por anos podem resultar em deformidades físicas que acompanharão o indivíduo na vida adulta.

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A médica ressalta que a infância e a adolescência são fases críticas para o desenvolvimento de ossos, músculos e articulações. Sem movimento, os jovens desenvolvem fraqueza muscular, encurtamentos e alterações posturais. Ela alerta ainda que, ao falar em excesso de peso infantil, não se trata apenas de riscos futuros como diabetes e hipertensão, mas da saúde das articulações e da qualidade de vida dessas crianças no presente. As projeções do Atlas Mundial da Obesidade indicam que, se nenhuma medida eficaz for adotada, 40% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no Brasil estarão com sobrepeso ou obesidade em 2035.

Diferenciar uma "dor de crescimento" passageira de um quadro que exige atenção médica é tarefa dos pais. Segundo a especialista, o sinal de alerta máximo é quando a dor se torna frequente, chega a acordar o jovem à noite, limita as brincadeiras cotidianas, faz a criança mancar ou surge acompanhada de febre, inchaço local e perda de peso. Outro indício preocupante é quando o filho passa a evitar atividades físicas que antes realizava sem dificuldade.

A solução, segundo a médica, não é proibir as telas — que já fazem parte do cotidiano dos jovens —, mas organizar a rotina para que o lazer digital não tome todo o tempo livre. A diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda ao menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa, como caminhadas, andar de bicicleta, dançar ou brincar ao ar livre.

Para quem passa muitas horas sentado em frente às telas, a orientação prática é fracionar o tempo parado: pausas regulares para levantar, caminhar, alongar e mudar de posição já fazem diferença. O objetivo, conclui Clarissa Valões, não é zerar as telas nas férias, mas garantir que elas não substituam o movimento — pilar essencial para o desenvolvimento saudável de qualquer criança.

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