Ter uma vida sexual tranquila depois dos 40 anos passa, muitas vezes, por vencer o medo de um escape de urina durante o sexo. É o que defende a psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, para quem a insegurança gerada pela incontinência urinária compromete diretamente a relação da mulher com o próprio corpo e com o parceiro.
Segundo a médica, o receio de perder urina no momento da relação sexual gera constrangimento e trava o ato antes mesmo que ele aconteça. "Uma mulher que tem incontinência urinária, com certeza não está à vontade durante o ato sexual", afirmou Abdo.
Ela explica que a explicação sobre a origem do problema nem sempre é suficiente para destravar a situação. Mesmo quando a mulher justifica o episódio como uma questão de saúde, o momento acaba ficando desconfortável — e a relação, muitas vezes, é interrompida.
Para a especialista, a aceitação do parceiro também não resolve o problema sozinha. Segundo ela, quando a parceria aceita a condição, isso significa apenas que o casal está se acomodando numa situação que ainda precisa de cuidado médico.
Abdo defende que o caminho é o diagnóstico precoce. Assim que os primeiros episódios de perda urinária aparecem, a orientação é procurar um médico, já que o tratamento costuma trazer resultados melhores quanto mais cedo é iniciado. Ela também recomenda que o parceiro seja informado sobre o início do tratamento, para entender que o problema está sendo resolvido aos poucos.
A fala da sexóloga tem respaldo nos números da pesquisa "Escape do Tabu: retratos da Incontinência Urinária no Brasil", encomendada pela farmacêutica Apsen ao instituto Ipsos. O levantamento ouviu 1.500 mulheres de 40 anos ou mais, das classes A, B e C, em todas as regiões do país, entre 30 de junho e 8 de julho.
De acordo com o estudo, 56% das brasileiras nessa faixa etária convivem com escapes de urina. Entre as mulheres com incontinência urinária mista, 29% relatam aumento de ansiedade, estresse, vergonha ou tristeza por causa da condição.
Outro levantamento com os mesmos dados da pesquisa mostra que 87% das mulheres com incontinência urinária nunca fizeram qualquer tipo de tratamento para o problema, e que 64% das que têm mais de 50 anos relatam dificuldade até para falar sobre o assunto com médicos. Mais da metade delas, 54%, afirmou nunca ter sido questionada por ginecologistas ou clínicos gerais sobre episódios de perda urinária em consultas de rotina.
Para Abdo, o silêncio em torno do tema reforça a necessidade de criar espaços de acolhimento nos consultórios, para que as mulheres se sintam à vontade para relatar os sintomas sem constrangimento.







