Publicidade
PI 6308
Saúde

Câncer colorretal em jovens preocupa médicos; Feira de Santana avança

Victor Galvão leva pesquisa sobre rastreamento ao Rio e relata recursos disponíveis na saúde de Feira de Santana

Redação ChicoSabeTudo
22 de setembro, 2026 · 15:56 3 min de leitura

O aumento de casos de câncer colorretal entre pessoas mais jovens tem chamado a atenção de médicos no Brasil. A Sociedade Brasileira de Coloproctologia e o Ministério da Saúde reforçam a necessidade de atenção ao crescimento da doença em pessoas com menos de 50 anos, grupo que tradicionalmente não era considerado de risco.

Em Feira de Santana, o gastroenterologista Victor Galvão vai representar a Bahia no 14º Encontro Internacional de Endoscopia Oncológica, que acontece no INCA, no Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 25 de setembro. Ele vai apresentar resultados de uma pesquisa ligada à ação social Março Azul, que usou o teste fit-test para rastrear moradores de uma cidade sem acesso à colonoscopia.

Publicidade

Segundo Galvão, quem teve resultado positivo no fit-test fez ou vai fazer colonoscopia na própria região. O médico explica que o exame de fezes não substitui a colonoscopia, mas ajuda a identificar quem tem mais chance de se beneficiar do procedimento.

O gastroenterologista também informou que Feira de Santana já conta com tecnologia de imagem avançada na Santa Casa de Misericórdia. Segundo ele, cirurgias endoscópicas também são realizadas pelo SUS no Hospital Clériston Andrade, ainda que com dificuldades.

O Instituto Nacional de Câncer estima 53,8 mil novos casos de câncer colorretal por ano, em cada ano do triênio 2026-2028, no Brasil. A doença é classificada pelo INCA como o segundo tipo de câncer mais frequente no país, sem contar tumores de pele não melanoma.

Médicos ouvidos por reportagens sobre o tema apontam que a doença é multifatorial. A oncologista Anelisa Coutinho afirma que ainda não há clareza total sobre os motivos do aumento de casos entre jovens. Ela cita a obesidade como um dos fatores de risco mais relevantes, além de sedentarismo, consumo de ultraprocessados, carnes vermelhas, açúcar refinado, bebidas alcoólicas e tabagismo. Fatores hereditários e alterações genéticas também são associados a parte dos casos em pessoas mais jovens, segundo a médica.

Publicidade

Os sintomas mais comuns, de acordo com a coloproctologista Fernanda Coelho, incluem sangue nas fezes, mudança persistente no hábito intestinal, alteração no formato das fezes, dor abdominal, anemia, perda de peso sem explicação e sensação de evacuação incompleta. Ela alerta que o câncer colorretal pode não apresentar sintomas no início, por isso a importância de detectar a doença cedo.

A colonoscopia é apontada pelos médicos como o exame mais eficaz para rastreamento, permitindo a retirada de pólipos antes que evoluam para câncer. Já o teste imunoquímico fecal (FIT) passou a integrar o protocolo nacional do SUS como exame de referência inicial para pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos, segundo anúncio do Ministério da Saúde em maio deste ano. A gastroenterologista Alice Cairo destaca que prevenção, rastreamento adequado, diagnóstico precoce e acompanhamento individualizado podem salvar vidas, além de recomendar alimentação equilibrada, rica em fibras, e prática de atividade física como medidas de prevenção.

Para o estado da Bahia, a estimativa é de 2.170 novos diagnósticos de câncer colorretal em 2026, segundo dados citados por reportagens sobre o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doença. Não há estimativa específica divulgada para Feira de Santana.

Publicidade

Leia também