A Secretaria de Saúde de Petrolina confirmou mais um caso de intoxicação por metanol no município. A vítima, um homem de 32 anos, morreu no dia 19 de maio nas proximidades de um shopping da cidade, mas a causa oficial da morte só foi estabelecida recentemente, após a conclusão de laudos da Polícia Científica.
Segundo a secretaria, as informações oficiais foram repassadas na última semana, depois que os exames identificaram o metanol como causa do óbito. A demora entre a morte e a confirmação é comum nesses casos: os testes toxicológicos exigem análise laboratorial especializada, que pode levar semanas para ser concluída.
Com esse novo registro, Petrolina chega a quatro casos confirmados de intoxicação por metanol. Desses, dois evoluíram para óbito — uma vítima residente no próprio município e outra na cidade de Juazeiro, na Bahia. Os outros dois casos tiveram desfechos distintos, segundo informações divulgadas pela Secretaria de Saúde local.
A situação em Petrolina acompanha um cenário preocupante que afeta Pernambuco há meses. A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco confirmou oito casos de intoxicação por metanol no estado, incluindo cinco óbitos registrados em outubro e novembro de 2025. Até dezembro de 2025, Pernambuco estava entre os estados brasileiros com maior número de mortes provocadas pela intoxicação associada ao consumo de metanol em bebidas alcoólicas adulteradas, segundo o Ministério da Saúde.
A Bahia também foi afetada pelo problema. Foram confirmados nove casos de intoxicação por metanol na Bahia. Em janeiro deste ano, Vinícius Oliveira Vieira, de 31 anos, morreu após intoxicação por metanol em Ribeira do Pombal, no nordeste do estado. A confirmação ocorreu após laudo do Departamento de Polícia Técnica identificar a presença de metanol em bebidas apreendidas e em amostras de sangue dos pacientes.
O metanol é uma substância extremamente perigosa quando ingerida. Ao contrário do etanol, utilizado nas bebidas alcoólicas, o metanol é um composto industrial amplamente usado como solvente, combustível e anticongelante. Quando ingerido, ele se converte em formaldeído, que em seguida se transforma em ácido fórmico, altamente tóxico ao organismo, podendo causar danos ao nervo óptico e ao sistema nervoso, levando à cegueira, coma e até à morte. Apenas 10 ml da substância já são suficientes para causar cegueira, e 30 ml é a dose mínima fatal para um adulto.
O perigo aumenta porque a intoxicação por metanol nem sempre dá sinais imediatos claros e pode ser confundida com uma ressaca mais forte. A Secretaria Estadual de Saúde mantém o alerta sanitário ativo e orienta que pessoas que apresentem sintomas entre seis e 72 horas após o consumo de bebida alcoólica procurem atendimento médico imediato. Entre os sinais estão náuseas, dor abdominal, visão turva e confusão mental.
A Secretaria de Saúde de Petrolina reforça o alerta sobre os riscos do consumo de bebidas de origem desconhecida ou possivelmente adulteradas. O caso segue sob investigação das autoridades competentes para identificar a procedência da bebida consumida pela vítima. A recomendação é comprar apenas de estabelecimentos licenciados pela vigilância sanitária ou vendedores credenciados. Latas lacradas são mais seguras.







