O Brasil registra mais de 263 mil novos casos de câncer de pele não melanoma por ano — e quem mora no Nordeste, sob sol forte durante boa parte do ano, está entre os grupos que mais precisam ficar atentos. O alerta ganhou força neste 13 de junho, Dia Global de Conscientização sobre a doença, com especialistas reforçando que prevenção e diagnóstico precoce salvam vidas.
O câncer de pele não melanoma segue como o mais frequente no Brasil, com estimativa de 263 mil novos casos por ano, correspondendo a mais de 30% de todos os diagnósticos oncológicos do país. Apesar da alta incidência, esse tipo apresenta baixa letalidade e elevadas chances de tratamento quando identificado precocemente.
A dermatologista Cecília Pugliesi, da Unimed Maceió, é direta: a proteção solar não é opcional. Um dos erros mais comuns é acreditar que protetor solar só é necessário em dias de sol forte, embora a radiação UV esteja presente mesmo em dias nublados. Segundo a especialista, também vale recorrer a roupas com fotoproteção, viseiras e outros acessórios — e evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h, quando os níveis de radiação ultravioleta são mais intensos.
O câncer de pele não melanoma tem altas chances de cura quando identificado no início, mas a prevenção é a forma mais eficaz de reduzir casos e evitar procedimentos mais complexos. As consultas regulares ao dermatologista também são fundamentais para a detecção precoce, já que muitas lesões podem ser sutis e passar despercebidas no dia a dia.
A médica lembra que a desinformação ainda atrapalha o diagnóstico a tempo. Muita gente confunde sinais iniciais da doença com lesões comuns, como pelos encravados ou marcas de nascença, e adia a busca por atendimento. Partes do corpo como couro cabeludo e planta dos pés também costumam ser ignoradas durante a rotina de autoanálise.
Para não errar, a especialista ensina a usar a regra do "ABCDE": assimetria, bordas irregulares, contornos mal definidos, diâmetro maior que 6 milímetros e evolução da lesão são os cinco pontos a observar em qualquer mancha ou sinal. Feridas que não cicatrizam em até quatro semanas, nódulos de aspecto perolado ou avermelhado, e manchas que coçam, descamam ou sangram também pedem atenção imediata e consulta ao dermatologista.
Quando o diagnóstico vem cedo, o tratamento costuma ser simples. O tratamento costuma ser menos agressivo do que o do melanoma. Na maioria dos casos, a retirada cirúrgica do tumor com margem de segurança é suficiente. Ao contrário do melanoma, os carcinomas basocelular e espinocelular, que são os cânceres de pele não melanomas mais frequentes, geralmente crescem localmente e raramente provocam metástases à distância.
Casos mais avançados podem exigir reconstrução da área afetada, mas normalmente dispensam quimioterapia ou radioterapia. Os números refletem o envelhecimento da população, desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno. Para quem vive em cidades do interior nordestino, onde o acesso ao dermatologista pode ser mais difícil, o autoexame frequente e a proteção solar diária se tornam ainda mais essenciais.







