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Saúde

Com mais de mil partos realizados, casa maternal de Marechal Deodoro se consolida como referência humanizada em Alagoas

Reativada em 2020 após seis anos fechada, a unidade contabiliza 1.069 nascimentos pelo SUS e evita que mães precisem se deslocar até Maceió para dar à luz.

Redação ChicoSabeTudo
14 de junho, 2026 · 18:33 3 min de leitura
Sala de parto humanizado com banheira no modelo PPP em casa maternal pública
Sala de parto humanizado com banheira no modelo PPP em casa maternal pública

A Casa Maternal de Parto Normal Imaculada Conceição, em Marechal Deodoro, no litoral sul de Alagoas, passou mais de meia década com as portas fechadas. De agosto de 2014 até agosto de 2020, as gestantes do município não tinham escolha: precisavam se deslocar até Maceió para dar à luz. Esse cenário mudou com um investimento de R$ 970 mil do Governo do Estado, que modernizou a estrutura e devolveu à população local um serviço de saúde que fazia falta.

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Desde a reativação, segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), a unidade já contabilizou 1.069 partos naturais — todos pelo Sistema Único de Saúde. O número coloca a casa maternal como uma das poucas referências desse modelo no país. Faltam casas de parto normal no SUS, e em todo o território nacional existem apenas 18 delas em funcionamento, segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde citados em projeto que tramita na Câmara dos Deputados.

A reforma permitiu a instalação de três quartos no modelo PPP — pré-parto, parto e pós-parto —, sendo dois deles equipados com banheira. O modelo PPP permite que a gestante permaneça no mesmo ambiente durante todas as fases do trabalho de parto, e a banheira auxilia no alívio da dor e promove relaxamento. Os partos são conduzidos por enfermeiras obstétricas, e há médicas disponíveis para urgência e clínica geral.

A unidade também conta com ambulância própria. Em situações de risco habitual, a gestante é encaminhada ao Hospital da Mulher. Nos casos de alto risco, o destino é a Maternidade Santa Mônica, em Maceió. Antes de receber alta, os recém-nascidos já saem com os testes de triagem neonatal realizados, cartão de vacina atualizado e acompanhamento pós-parto garantido, segundo a Sesau.

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O contexto nacional ajuda a entender o que está em jogo. O Brasil realiza quase quatro vezes mais cesáreas do que os 15% considerados aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Iniciativas como a de Marechal Deodoro vão na contramão desse padrão, ao oferecer uma estrutura dedicada exclusivamente ao parto normal humanizado dentro da rede pública.

O impacto é sentido diretamente pelas famílias do município. Antes da reativação, Marechal Deodoro era o município que mais enviava parturientes ao Hospital da Mulher, em Maceió, por conta da proximidade e do tamanho populacional — mais de 45 mil habitantes. Esse fluxo forçado para a capital gerava não só desgaste físico, mas também separava as mães do suporte familiar no momento do parto.

Kaylany Oliveira, moradora de Marechal Deodoro de 23 anos, é uma das que viveram essa mudança na prática. Ela deu à luz a pequena Rafaela Safira há três meses na própria unidade, sem precisar sair do município. Segundo informações da Sesau, ela destacou o cuidado recebido pela equipe antes, durante e depois do parto, e afirmou que, se tiver outros filhos, voltará ao mesmo lugar.

O governador Paulo Dantas ressaltou, em nota divulgada pela Sesau, que a reestruturação da unidade permitiu às mães deodorenses "voltar a dar à luz seus filhos no próprio município de residência, com eficiência, agilidade e qualidade". Para os moradores, o resultado mais visível é simples: crianças nascendo em casa — no sentido mais literal da palavra.

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