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Saúde

Olhos ardendo na tela: o que está por trás do desconforto que afeta milhões de brasileiros

Passar horas no computador pode causar mais do que cansaço visual — a síndrome do olho seco tem causas e tratamentos que todo mundo deve conhecer

Redação ChicoSabeTudo
03 de agosto, 2026 · 00:06 3 min de leitura
Pessoa com os olhos fechados e expressão de cansaço na frente de um computador
Pessoa com os olhos fechados e expressão de cansaço na frente de um computador

Você termina o dia de trabalho com a sensação de areia nos olhos, visão embaçada e um ardor que não passa nem depois de piscar várias vezes? Esse desconforto tem nome: síndrome do olho seco, condição cada vez mais presente na rotina de quem passa horas diante de telas.

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O problema é mais comum do que parece. Segundo estimativas citadas pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia, cerca de 90% das pessoas que usam telas por mais de duas horas por dia apresentam algum sintoma da síndrome. No Brasil, estudos indicam que mais de 34% da população pode ser afetada pela condição, que não escolhe idade nem profissão.

A explicação para tanto desconforto está no modo como os olhos funcionam diante de uma tela. Quando a atenção está fixada no monitor, o número de piscadas cai bastante. Piscar é o que mantém a superfície do olho úmida — sem isso, o filme lacrimal se desequilibra, causando ressecamento, irritação e ardência. O ar-condicionado e ambientes fechados pioram o quadro ainda mais, acelerando a evaporação da lágrima.

Os sintomas vão além da secura. Ardor, vermelhidão, sensação de corpo estranho, dor de cabeça ao final do dia e visão turva são manifestações características da síndrome. Em alguns casos, os sinais pioram progressivamente ao longo do dia, especialmente em quem não faz pausas durante o trabalho. Jovens entre 18 e 25 anos também estão no grupo de risco: pesquisa publicada em 2025 pela Aston University identificou que cerca de 90% dos jovens avaliados apresentaram ao menos um sinal da doença do olho seco, em boa parte relacionado ao uso intenso de telas digitais.

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Além das telas, outros fatores ampliam o risco: uso prolongado de lentes de contato, erros de refração não corrigidos (como miopia e astigmatismo), má postura diante do computador, iluminação inadequada e uso de certos medicamentos, como antidepressivos e anti-hipertensivos. A condição também é mais frequente em mulheres, por influência de mudanças hormonais ao longo da vida.

O diagnóstico é feito por um oftalmologista, a partir de exame de visão e avaliação do histórico do paciente. O tratamento varia conforme os sintomas, mas costuma incluir colírios lubrificantes (as chamadas lágrimas artificiais), ajustes ergonômicos no posto de trabalho e, nos casos mais graves, uso de luz intensa pulsada. Um alerta importante: colírios não devem ser usados sem prescrição médica, já que o uso indevido pode aumentar o risco de glaucoma secundário.

Para quem passa o dia na frente do computador, algumas medidas simples ajudam a reduzir o desconforto: posicionar a tela a cerca de 50 a 60 centímetros dos olhos, manter o topo do monitor abaixo da linha dos olhos, reduzir reflexos na tela e fazer pausas regulares. A regra 20-20-20 é bastante recomendada: a cada 20 minutos de tela, desviar o olhar por 20 segundos para um ponto a pelo menos 6 metros de distância. Em ambientes com ar-condicionado, umidificadores de ambiente também podem ajudar.

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O recado dos especialistas é direto: sentir os olhos cansados e secos com frequência não é algo para ignorar ou tratar como normal. Persistindo os sintomas, o caminho é buscar avaliação médica antes que o quadro evolua para complicações mais sérias, como úlceras na córnea e perda de qualidade visual.

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