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Saúde

Oxigênio puro sob pressão: como a terapia hiperbárica recupera feridas que não cicatrizam

Disponível pelo SUS e por planos de saúde, a oxigenoterapia hiperbárica trata pé diabético, osteomielite e feridas complexas — mas exige avaliação médica e é sempre complementar a outros cuidados.

Redação ChicoSabeTudo
17 de junho, 2026 · 08:57 3 min de leitura
Câmara hiperbárica cilíndrica em ambiente hospitalar, com paciente recebendo oxigenoterapia
Câmara hiperbárica cilíndrica em ambiente hospitalar, com paciente recebendo oxigenoterapia

Respirar oxigênio puro dentro de uma câmara pressurizada pode parecer coisa de filme científico, mas é uma terapia médica regulamentada no Brasil e cada vez mais presente em hospitais públicos e privados. A medicina hiperbárica ainda é pouco conhecida pela maioria das pessoas, mas vem ganhando espaço como aliada em casos onde os tratamentos convencionais têm dificuldade de avançar sozinhos.

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O procedimento é simples na descrição: o paciente entra em uma câmara hiperbárica, um equipamento pressurizado, e respira oxigênio a 100% de pureza durante cerca de 90 minutos. A pressão dentro da câmara é superior à pressão atmosférica normal, o que faz com que o oxigênio se dissolva em maior quantidade no sangue e chegue com mais eficiência a tecidos com circulação comprometida.

Segundo a médica infectologista Clécia Nunes, da Santa Casa de Maceió, o aumento na oferta de oxigênio ativa mecanismos fundamentais para a recuperação do organismo. A especialista explica que a terapia estimula a produção de colágeno, a formação de fibroblastos e ajuda a reduzir o edema nos tecidos afetados. Trata-se, portanto, de um suporte ao processo natural de cicatrização — não de uma cura isolada.

As principais indicações reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina incluem feridas de difícil cicatrização, pé diabético, osteomielite (infecção óssea), complicações cirúrgicas com risco de comprometimento vascular e lesões por radiação. Um estudo realizado em um centro hiperbárico de Salvador, na Bahia, identificou que as feridas mais frequentemente tratadas com a terapia foram úlcera venosa, lesão traumática e pé diabético.

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O diabetes é a principal causa de amputações de pés, excluindo as relacionadas a acidentes. Por isso, o uso precoce da câmara hiperbárica nesse quadro é especialmente relevante. O aumento da oxigenação nos tecidos auxilia na cicatrização de feridas, no combate a infecções e na redução de inflamações — sendo a hipóxia tecidual, ou seja, a baixa oxigenação, um fator que frequentemente dificulta a recuperação em pacientes com diabetes e problemas circulatórios.

A terapia também tem papel em situações de urgência, como a doença descompressiva — condição que pode afetar mergulhadores após variações bruscas de pressão. Conforme informações divulgadas pela Santa Casa de Maceió, a estrutura do hospital conta com câmara individual e com equipamento multiplace, capaz de atender até oito pacientes ao mesmo tempo. O serviço está disponível para pacientes do SUS, particulares e por planos de saúde, mediante encaminhamento médico e avaliação especializada.

Apesar da divulgação frequente na internet associando a hiperbárica a tratamentos estéticos, a especialista Clécia Nunes esclarece que não existe indicação reconhecida para fins exclusivamente estéticos. Em situações específicas, como recuperação de cirurgias plásticas ou transplantes capilares, o uso pode ser considerado — sempre com avaliação médica prévia.

Nem todos os pacientes são elegíveis para o tratamento. Condições como alterações auditivas, doenças respiratórias descompensadas, algumas condições neurológicas, problemas cardíacos e gestação exigem análise individual antes de qualquer indicação. A oxigenoterapia hiperbárica é reconhecida como uma modalidade terapêutica que deve ser aplicada por médico.

Durante as sessões, os pacientes seguem protocolos de segurança que incluem o uso de vestimenta adequada e a proibição de entrada com objetos metálicos ou eletrônicos na câmara. A terapia não substitui os demais tratamentos: segundo a infectologista da Santa Casa, ela atua em conjunto com outras condutas médicas, potencializando o processo de recuperação sem agir de forma isolada.

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