A investigação sobre a intoxicação coletiva registrada em Pariconha, no Alto Sertão de Alagoas, avançou em uma frente, mas ainda aguarda uma resposta crucial: se o produto apreendido pelos órgãos de fiscalização contém a mesma substância detectada no organismo da vítima fatal.
O laudo toxicológico das amostras biológicas do agricultor Gilberto Alves Vicente, de 36 anos, identificou a presença de metomil, um inseticida de uso agrícola. O resultado foi divulgado na quarta-feira (29) e integra as investigações conduzidas pela Polícia Civil. A substância foi identificada pelo Laboratório de Química e Toxicologia Forense a partir de amostras coletadas durante a necropsia realizada no Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca.
Apesar da confirmação, a Vigilância Sanitária faz uma distinção importante: o que foi concluído até agora diz respeito apenas ao material biológico da vítima. Segundo informações apuradas pelo portal Sertão 142 junto à equipe da Vigilância Sanitária, o resultado da análise do produto apreendido ainda não está disponível. O órgão aguarda essa análise para saber se o mesmo composto estará presente no material recolhido durante a fiscalização.
O homem morreu no último domingo (26), após um caso de suspeita de intoxicação registrado durante a feira livre de Pariconha. Outras seis pessoas também passaram mal e foram hospitalizadas. Todos foram levados ao Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia. A intoxicação teria relação com o consumo de uma bebida conhecida como "raizada".
De acordo com o perito criminal Thalmanny Goulart, chefe do Laboratório Forense da Polícia Científica, o metomil atua no sistema nervoso e pode provocar intoxicação grave ao causar o acúmulo de acetilcolina no organismo. Entre os possíveis sintomas estão náuseas, vômitos, diarreia, dificuldade respiratória, alterações cardíacas, tremores e fraqueza muscular. O produto é autorizado para uso agrícola no Brasil e classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como altamente perigoso, dependendo da formulação.
Apesar da identificação do metomil nas amostras da vítima, a perícia ainda analisa a bebida apreendida pelos órgãos de fiscalização e as amostras biológicas dos pacientes sobreviventes que permanecem internados. Esses exames poderão fornecer novos elementos para esclarecer as circunstâncias da intoxicação coletiva. Os materiais estão sendo examinados no Laboratório de Química e Toxicologia Forense, e os laudos serão concluídos e encaminhados às autoridades competentes dentro dos prazos legais.
A Secretaria Municipal de Saúde de Pariconha, segundo informações divulgadas pelo Sertão 142, também aguarda o recebimento dos laudos e das informações oficiais dos órgãos estaduais antes de se pronunciar sobre eventuais medidas relacionadas ao caso.
O laudo foi encaminhado aos delegados Rodrigo Cavalcante e Carlos Melro, responsáveis pela investigação. Após o recebimento de toda a documentação pericial, caberá à Polícia Civil definir os próximos passos investigativos e administrativos. A questão central que ainda precisa ser respondida é se o metomil encontrado no organismo de Gilberto Vicente também está no produto que foi apreendido — resultado que deve ser determinante para esclarecer a origem e as circunstâncias do caso.







