O Ministério da Saúde confirmou nesta segunda-feira (8/6) que os três casos graves registrados após a aplicação da vacina contra a dengue do Instituto Butantan — incluindo dois óbitos — ocorreram em profissionais da atenção primária à saúde. A revelação veio junto ao anúncio da suspensão temporária da campanha de imunização.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, das aproximadamente 500 mil doses aplicadas no país desde janeiro deste ano, cerca de 417 mil foram destinadas justamente a esse grupo de trabalhadores — médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. Os outros 83 mil vacinados fazem parte das estratégias em massa realizadas em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Tocantins.
O detalhe chama atenção: nenhum dos três casos graves ocorreu nas cidades que participaram da vacinação em massa da população. Todos vieram da campanha voltada aos profissionais de saúde.
Entre os casos, uma mulher de 48 anos, moradora de Paranapanema (SP), desenvolveu comprometimento neurológico grave com meningoencefalite 19 dias após receber a vacina e veio a óbito. Um homem de 58 anos, de Santo André (SP), apresentou febre cinco dias depois da aplicação, evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário e também morreu. O terceiro caso, uma mulher de 39 anos, foi internada em UTI, mas já teve alta.
O Ministério da Saúde ressaltou que ainda não há comprovação científica de que a vacina causou os óbitos. A suspensão foi classificada pelo ministro como um "sinal de alerta" que exige investigação aprofundada por parte da pasta, da Anvisa e do próprio Butantan. "Os 42 casos significam oito casos para cada 100 mil doses aplicadas. É um sinal que recomenda a descontinuidade até que se realizem todas as investigações necessárias", disse Padilha.
Como precaução, o Ministério orienta que todas as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento. Devem ser observados sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramento e piora do estado geral.
A suspensão não afeta a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, que segue disponível normalmente no SUS.







