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Saúde

Junho Violeta: oftalmologistas alertam que coçar os olhos pode acelerar doença silenciosa que cega jovens

Ceratocone atinge principalmente adolescentes entre 10 e 25 anos e é a principal causa de transplante de córnea no Brasil; hábito de esfregar os olhos agrava o quadro

Redação ChicoSabeTudo
21 de junho, 2026 · 07:10 3 min de leitura
Jovem realizando exame oftalmológico para diagnóstico de ceratocone durante campanha Junho Violeta
Jovem realizando exame oftalmológico para diagnóstico de ceratocone durante campanha Junho Violeta

Trocar de óculos com frequência, enxergar imagens distorcidas mesmo com a receita atualizada e sentir que a visão não melhora de jeito nenhum. Esses sinais podem não ser simples problemas de refração — e sim os primeiros indícios de uma doença progressiva que atinge principalmente adolescentes e jovens adultos: o ceratocone.

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Segundo o Ministério da Saúde, o ceratocone é considerado a principal causa de transplante de córnea no Brasil, acometendo cerca de 150 mil brasileiros por ano, com diagnóstico mais frequente entre os 10 e 25 anos de idade. Em junho, a campanha Junho Violeta reforça a necessidade de identificar a doença cedo, antes que ela avance para estágios mais graves.

O ceratocone é uma doença progressiva que afeta a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal dos olhos, provocando afinamento e deformação do tecido. Com isso, a córnea passa a assumir um formato irregular, prejudicando a formação das imagens e causando distorções visuais.

Entre os principais sintomas estão visão embaçada, aumento frequente do grau dos óculos, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz, visão dupla em um dos olhos e imagens distorcidas. Em muitos casos, o paciente percebe que os óculos deixam de proporcionar uma boa visão mesmo após sucessivas trocas de lentes.

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Um hábito aparentemente inofensivo pode estar acelerando a progressão da doença sem que o paciente perceba. "O ato de coçar os olhos é um dos fatores mais importantes relacionados à progressão do ceratocone. O trauma mecânico repetitivo pode enfraquecer ainda mais a córnea e acelerar a evolução da doença. Por isso, controlar a coceira e evitar esfregar os olhos é uma orientação fundamental", alerta o oftalmologista Leiser Franco, presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver a condição, ela é mais comum em adolescentes e jovens adultos. Pessoas com histórico familiar da doença, alergias oculares, rinite, asma ou dermatite atópica apresentam maior risco. O impacto vai além da visão: o diagnóstico tardio pode comprometer atividades cotidianas, o desempenho escolar, a vida profissional e o bem-estar ao longo dos anos.

De acordo com dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o ceratocone está entre as principais causas dos mais de 13 mil transplantes de córnea realizados anualmente no país. Só em 2023, foram mais de 16 mil procedimentos.

O cenário, porém, vem mudando com o avanço das técnicas médicas. Uma das opções de tratamento mais eficazes para retardar a progressão do ceratocone é o crosslinking corneano, procedimento que visa fortalecer a córnea e estabilizar a doença. A detecção precoce é fundamental para a possibilidade de utilização do crosslinking, que visa promover a estabilidade da doença e impedir sua progressão. As opções terapêuticas variam conforme o estágio e podem envolver desde óculos e lentes de contato até procedimentos cirúrgicos, sempre com indicação individualizada.

Hoje, exames modernos permitem identificar o ceratocone ainda em fases iniciais, muitas vezes antes mesmo de o paciente perceber alterações importantes na visão. O diagnóstico precoce é fundamental porque possibilita a realização de tratamentos capazes de interromper ou retardar a progressão da doença.

"A consulta regular com o oftalmologista é a principal ferramenta para um diagnóstico precoce, sobretudo em adolescentes e pacientes jovens." A orientação vale especialmente para famílias do Nordeste, onde o calor intenso e a alta incidência de alergias respiratórias — fatores de risco para o ceratocone — tornam o acompanhamento oftalmológico ainda mais importante.

A mensagem da campanha Junho Violeta é clara: ao perceber qualquer alteração visual, a orientação é não adiar a consulta com um especialista, pois cuidar da saúde dos olhos hoje é investir na preservação da visão no futuro.

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