Uma mãe está em desespero enquanto sua filha de apenas 11 meses permanece internada no Hospital Jonival Lucas da Silva, em Abaré, no sertão baiano às margens do Rio São Francisco. A criança faz uso contínuo de oxigênio e necessita de cuidados mais avançados do que os disponíveis na unidade. O que impede a transferência, segundo a família, é a espera pela senha de regulação — documento essencial dentro do sistema do SUS para garantir uma vaga em hospital de maior complexidade.
A situação foi tornada pública pela própria mãe, que fez um apelo emocionado às autoridades de saúde pedindo agilidade no processo. Familiares e amigos se mobilizaram nas redes sociais, amplificando o pedido para que os órgãos responsáveis pela regulação de vagas atuem com mais rapidez diante da gravidade do caso.
O sistema de regulação de pacientes do SUS na Bahia é operado pela Central Estadual de Regulação (CER), que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com 524 profissionais, sendo 213 médicos. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), a regulação é uma ferramenta de democratização do acesso, e a decisão de encaminhamento é pautada na gravidade do caso, não na proximidade geográfica.
Os números mostram avanço no sistema: somente em 2025, mais de 329 mil casos foram solucionados pela equipe, sendo que 71,93% tiveram desfecho em até 24 horas e 86,22% em até 72 horas. Na prática, porém, casos como o da bebê de Abaré revelam que a espera ainda pode ser angustiante para as famílias envolvidas, especialmente em municípios do interior com estrutura hospitalar limitada.
A unidade onde a criança está internada passou recentemente por obras de melhoria. A Prefeitura de Abaré iniciou, em março de 2026, serviços de reparos no Hospital Jonival Lucas da Silva, em convênio com o Governo do Estado da Bahia, com investimento de R$ 891.629,52. Mesmo com a reforma em andamento, o hospital não dispõe de estrutura para casos pediátricos de alta complexidade que exijam suporte especializado.
A demanda por transferências de crianças gravemente enfermas é uma realidade constante no interior baiano. Em um único período de 24 horas monitorado pela Sesab em fevereiro de 2026, as remoções aéreas realizadas pela Central de Regulação envolveram dois adultos e três crianças, o que evidencia a frequência desse tipo de necessidade na rede pública estadual.
A família da bebê de Abaré pede sensibilidade das autoridades competentes e solicita orações de toda a população pela recuperação da criança. Até a publicação desta reportagem, não houve manifestação oficial da Secretaria Municipal de Saúde de Abaré nem da Central Estadual de Regulação sobre o caso específico.







