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Saúde

Um inalador para tudo: a mudança que simplifica o tratamento da asma e beneficia pacientes no Brasil

Novas diretrizes globais e o protocolo atualizado do SUS permitem que o mesmo dispositivo trate tanto as crises quanto a inflamação crônica — e imunobiológicos ampliam opções para casos graves.

Redação ChicoSabeTudo
20 de junho, 2026 · 16:56 3 min de leitura
Paciente usando inalador para tratamento da asma
Paciente usando inalador para tratamento da asma

O tratamento da asma está passando por uma das maiores transformações das últimas décadas. Novas diretrizes internacionais e uma atualização recente do protocolo do Sistema Único de Saúde (SUS) mudaram a forma como médicos e pacientes lidam com a doença — e uma das mudanças mais práticas é a possibilidade de usar um único inalador tanto para controlar a inflamação crônica quanto para aliviar as crises.

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A estratégia, conhecida como MART (Maintenance and Reliever Therapy), combina em um só dispositivo um corticosteroide inalatório e um broncodilatador de longa duração. No tratamento de manutenção, o MART permanece como a abordagem preferencial, devido à eficácia demonstrada na redução do risco de crises graves. O avanço está alinhado ao relatório da Global Initiative for Asthma (GINA) 2026, divulgado em maio com o tema central: "Acesso a inaladores anti-inflamatórios para todas as pessoas com asma – uma necessidade ainda urgente".

A pneumologista Fátima Alécio, da Santa Casa de Maceió, explica o que muda na prática para o paciente: com a nova abordagem, em muitos casos não é mais necessário carregar duas "bombinhas" diferentes — uma para o dia a dia e outra para as crises. A mesma medicação passa a cumprir as duas funções, o que tende a aumentar a adesão ao tratamento e reduzir erros no uso.

Outro ponto de ruptura trazido pelas novas recomendações é o abandono do broncodilatador de curta duração (SABA) como única opção de resgate. A GINA 2026 marca mudança de paradigma: o SABA isolado é coisa do passado, e a combinação anti-inflamatória (ICS+LABA) passa a ser o novo padrão de resgate em adultos e adolescentes. A justificativa é clínica: o estudo BATURA (2025) demonstrou que o uso sob demanda da associação budesonida-salbutamol reduziu a taxa de exacerbações graves em 53% em comparação à monoterapia com SABA.

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No Brasil, a urgência das mudanças fica evidente nos dados. O país registrou um aumento de 63% no número de internações por asma entre 2020 e 2025, passando de 47.814 para 78.314, segundo o Ministério da Saúde. O GINA 2026 ressalta que a maioria das 450 mil mortes anuais pela doença no mundo é evitável, e que o acesso ao corticoide inalatório não é apenas uma escolha terapêutica, mas um direito essencial.

No campo dos casos mais graves, os avanços também são significativos. A mudança mais relevante no novo protocolo do SUS é a ampliação das opções de tratamento para asma grave, com novos imunobiológicos e critérios mais detalhados para selecionar pacientes. A razão da atualização foi a incorporação de novos tratamentos: além do omalizumabe e do mepolizumabe, já disponíveis, passaram a ser incluídos o benralizumabe e o dupilumabe, além da indicação do mepolizumabe para crianças.

Segundo informações divulgadas pela Santa Casa de Maceió, a pneumologista Fátima Alécio destaca que os imunobiológicos modificaram o curso da doença para os pacientes com asma grave. Com aplicações subcutâneas realizadas uma vez por mês ou a cada duas semanas, dependendo do caso, esses pacientes conseguem alcançar um controle mais adequado da condição e ganhar qualidade de vida.

Apesar dos avanços, a implementação enfrenta obstáculos reais, especialmente no sistema público. Em grande parte do SUS, o arsenal terapêutico para asma ainda se concentra no beclometasona isolado e no salbutamol — e orientar pacientes a usar dispositivos de duplo mecanismo quando mal conseguem acessar os equipamentos básicos nos postos de saúde cria um abismo entre a medicina baseada em evidências e a medicina baseada em recursos. O protocolo atualizado reforça que fatores como baixa adesão ao tratamento, uso incorreto de inaladores, poluição e condições sociais podem dificultar o controle da doença.

O Dia Mundial da Asma, celebrado anualmente na primeira terça-feira de maio, serve de pano de fundo para o debate sobre acesso e equidade no tratamento. Para os pacientes brasileiros — incluindo os da região do São Francisco, onde condições climáticas secas e a presença de fumaça de queimadas agravam quadros respiratórios —, as novas diretrizes representam uma oportunidade concreta de melhora, desde que cheguem de fato aos serviços de saúde locais.

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