Quem passou pela orla da Pajuçara, em Maceió, no último domingo (17), encontrou mais do que a movimentação típica da Rua Fechada. A Santa Casa de Maceió organizou uma ação de conscientização sobre saúde cardiovascular feminina, voltada especialmente à prevenção do infarto e do AVC — doenças que, juntas, são responsáveis por 30% da mortalidade entre mulheres.
A iniciativa foi conduzida pela equipe de Ensino e Pesquisa da Santa Casa, liderada pela cardiologista Alayde Rivera, que também preside o Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) no estado de Alagoas. O evento aconteceu em alusão ao Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, celebrado em 14 de maio, data instituída pela Lei 14.320/2022.
Ao longo da manhã, foram realizadas verificações de pressão arterial, avaliações antropométricas e orientações de saúde. Sessões de alongamento e zumba completaram a programação, reforçando o estímulo à atividade física como estratégia de prevenção.
A cardiologista Alayde Rivera ressaltou que o objetivo foi colocar o coração no mesmo patamar de atenção que outros exames preventivos já consolidados no hábito feminino. "As mulheres já têm o hábito de realizar exames preventivos, como a mamografia e o Papanicolau", destacou a médica. A proposta é que a avaliação cardíaca seja incorporada com a mesma naturalidade.
Um dos dados que mais chama atenção na campanha é justamente o pouco conhecido: infarto e AVC somados matam mulheres sete vezes mais do que o câncer de mama. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no Brasil e no mundo, superando inclusive os cânceres ginecológicos. Em 2021, mais de 176 mil mulheres morreram por doenças cardiovasculares no Brasil, resultando em maior mortalidade proporcional do que nos homens.
A desinformação sobre o tema é um problema sério. É um tema relativamente pouco conhecido das próprias mulheres, que ainda não têm a percepção de que a mortalidade feminina é causada, principalmente, pelas doenças cardiovasculares. Além disso, os sintomas nas mulheres podem ser diferentes dos clássicos descritos nos homens: enquanto muitos homens apresentam dor forte no peito, as mulheres podem manifestar falta de ar, fadiga intensa, náuseas, palpitações e suor excessivo — sinais facilmente confundidos com estresse ou cansaço do dia a dia.
Entre os fatores de risco mais comuns estão pressão alta, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, obesidade, tabagismo e estresse. Esses fatores clássicos, como hipertensão, diabetes, obesidade e tabagismo, devem ser rigidamente controlados, lembrando que nas mulheres eles têm maior repercussão do que nos homens.
A menopausa é um momento crítico: a queda do estrogênio, hormônio que atua como protetor cardiovascular, remove essa defesa natural, aumenta a rigidez dos vasos e eleva consideravelmente o risco de infarto e AVC. Cerca de 40% das mulheres brasileiras estão na faixa do climatério, período de transição entre a fase reprodutiva e a pós-menopausa.
No cenário nacional, a Sociedade Brasileira de Cardiologia projeta a manutenção de aproximadamente 400 mil mortes cardiovasculares anuais no país se não houver mudanças importantes em prevenção e diagnóstico precoce. Ações como a realizada em Maceió seguem exatamente esse caminho: levar informação acessível às pessoas onde elas estão.
A Santa Casa de Maceió celebra 175 anos de fundação em setembro deste ano. A instituição reúne unidades como a Santa Casa Farol e a Santa Casa Nossa Senhora da Guia, com serviços que incluem cardiologia clínica, cirurgias cardíacas e o primeiro robô cirúrgico de Alagoas.







