O Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro, ganhou uma nova administradora a partir desta segunda-feira (15). A S3 Gestão em Saúde assumiu a operação da unidade após a substituição do Instituto Setes, definida depois que o acompanhamento técnico identificou inconformidades assistenciais, operacionais e administrativas. É a terceira organização a comandar o hospital em menos de nove meses.
Com 152 leitos e mais de 900 funcionários, o HRDLEM é uma das referências em média e alta complexidade para o Extremo-Sul da Bahia. O hospital reúne serviços de urgência e emergência clínica, cirúrgica, obstétrica, oncológica e ortopédica, além de internações e atendimentos ambulatoriais.
A formalização da troca se deu por meio da Portaria nº 769, assinada pela Secretária da Saúde da Bahia (Sesab), Roberta Santana, em 12 de junho de 2026. Segundo informações divulgadas no Diário Oficial do Estado, o contrato da S3 tem valor global estimado em R$ 297.309.515,88 para o custeio geral da operação, mais R$ 1.327.267,50 destinados ao pagamento de órteses, próteses e materiais especiais (OPME).
A crise no HRDLEM tem raiz em setembro de 2025. O Instituto de Gestão e Humanização (IGH), então responsável pela unidade, teve o contrato suspenso pela Sesab diante de dificuldades em manter a capacidade operacional. Relatórios de monitoramento apontaram superlotação frequente na emergência, atrasos em cirurgias e falta de insumos e medicamentos. Diante do encerramento do contrato com o IGH, a Sesab convocou o Instituto Setes, que ficou em segundo lugar no último processo seletivo, para assumir a gestão a partir de 1º de novembro.
A segunda gestão também não durou. Médicos relataram atraso superior a 60 dias no pagamento de honorários, e parte do corpo clínico suspendeu consultas ambulatoriais, cirurgias eletivas e atendimentos de menor complexidade, mantendo apenas os serviços de urgência e emergência. Segundo a fonte original, em dezembro de 2025 a equipe de obstetrícia pediu demissão em massa, citando redução salarial proposta pelo Instituto Setes e a falta de pagamento de verbas rescisórias pela gestão anterior.
O hospital foi alvo de um protesto de médicos em junho de 2026. Em carta aberta divulgada à população, o corpo clínico relatou preocupações com as condições de funcionamento, a disponibilidade de profissionais e insumos e a regularização de salários. Entre os pontos citados estavam a hesitação de pediatras em assumir plantões por incerteza sobre remunerações, a falta de profissionais para cobrir escalas na obstetrícia e a existência de uma UTI que permaneceria sem funcionamento apesar de já estar estruturada.
Para assegurar a manutenção dos serviços durante a transição, a Sesab instituiu uma comissão de monitoramento permanente e outra de transição. O grupo ficará responsável por acompanhar a operação da unidade, avaliar medidas imediatas de estabilização assistencial e garantir que a mudança ocorra sem interrupção do atendimento à população. A secretária Roberta Santana declarou que a equipe de transição não sairá do hospital enquanto a nova organização social não assumir por completo todos os serviços.
Durante a visita de vistoria da secretária ao hospital, também foi anunciado um mutirão de atendimentos especializados entre os dias 15 e 17 de junho, na área externa do hospital. A S3 Gestão em Saúde já atua na gestão de diversas unidades de saúde na Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul e no Paraná. Na Bahia, a organização é responsável por estruturas como o Hospital de Ubaíra, as UPAs Valéria e Feira de Santana e o Multicentro de Saúde da Liberdade, entre outras unidades. Mais recentemente, a S3 também assumiu o Hospital Regional de Paulo Afonso, no sertão baiano.







