O governo federal emitiu um alerta nacional depois que análises laboratoriais da Polícia Científica do Espírito Santo confirmaram a presença de fentanil em amostras de cocaína apreendidas na capital capixaba. A descoberta foi encaminhada à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), responsável pelo Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR), que passou a intensificar o monitoramento da substância no país.
As apreensões que motivaram o alerta ocorreram em 2024. Segundo informações divulgadas pela Senad, foram recolhidos pinos, ampolas contendo fentanil e cerca de dois quilos de pó branco. Os exames periciais confirmaram que parte do material era uma combinação do opioide com a cocaína.
Apesar da gravidade, as autoridades informaram que não existem evidências de distribuição ampla da mistura no território nacional. Os números relacionados ao uso indevido no Brasil ainda não indicam uma epidemia, mas um estado de atenção vem sendo reforçado pelas autoridades em saúde e segurança nos últimos anos. Até o momento, apenas Espírito Santo e São Paulo registraram ocorrências compatíveis com a presença da substância, de acordo com informações dos setores de inteligência estaduais.
O fentanil é um opioide sintético criado para uso hospitalar, empregado no controle de dores intensas. Segundo a Administração de Repressão às Drogas dos EUA, o fentanil é cerca de 50 vezes mais potente que a heroína e cem vezes mais do que a morfina. A droga causa a morte, todos os anos, de 70 mil pessoas nos EUA, segundo o governo local.
No Brasil, não há registros de síntese ilegal do fentanil no país. A substância é desviada do uso hospitalar, uma vez que é um anestésico amplamente utilizado. No Brasil, o fentanil vem sendo utilizado prioritariamente para "batizar" e potencializar o efeito de outros entorpecentes.
O risco mais preocupante para as autoridades é o consumo involuntário. Os usuários brasileiros muitas vezes desconhecem que estão consumindo fentanil, pois a substância é frequentemente combinada com outras drogas. Isso torna a identificação dos sintomas mais difícil e reduz as chances de reação rápida diante de uma intoxicação.
O alerta federal destaca que a combinação do opioide com álcool, sedativos ou outros depressores do sistema nervoso central pode agravar severamente os efeitos da substância. Doses tão pequenas quanto 2 mg de fentanil podem ser fatais, e a dependência por opioides é uma das mais difíceis de se tratar.
Sonolência excessiva, dificuldade respiratória, redução do nível de consciência, pupilas contraídas e coloração arroxeada nos lábios ou nas extremidades do corpo estão entre os principais sinais de intoxicação por opioides. Quem identificar qualquer um desses sintomas deve acionar o Samu pelo número 192 imediatamente e informar aos socorristas sobre a possível exposição ao fentanil.
A implementação de treinamento e distribuição da Naloxona para as equipes do Samu e na atenção primária em áreas de risco, como algumas cidades no Espírito Santo e São Paulo, pode prevenir casos de overdose. A Naloxona é o antídoto indicado para reverter intoxicações por opioides em emergências.
Ao lançar o Informe do Subsistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR), a Senad disse que as apreensões não indicam uma epidemia, como nos Estados Unidos, mas que o sistema "foi criado justamente para acompanhar, monitorar e emitir alertas quando necessário". O acompanhamento segue em andamento para identificar novos casos e avaliar o comportamento da droga no mercado ilícito brasileiro.







