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Saúde

O câncer que engana os idosos: mieloma múltiplo tem tratamento em Paulo Afonso e Salvador

Doença rara do sangue é frequentemente confundida com sintomas da velhice e afeta principalmente pessoas acima de 60 anos — e a Bahia se destaca no tratamento pelo SUS.

Redação ChicoSabeTudo
27 de julho, 2026 · 09:22 4 min de leitura
Ilustração de células da medula óssea representando o mieloma múltiplo
Ilustração de células da medula óssea representando o mieloma múltiplo

Uma dor nos ossos que parece normal para a idade. Uma fratura que ninguém esperava. Um exame de sangue alterado sem explicação aparente. Assim começa, para muitos pacientes, a descoberta de um câncer ainda pouco conhecido: o mieloma múltiplo. E para os moradores da região do São Francisco, a notícia é relevante — Paulo Afonso é um dos centros credenciados no estado da Bahia para realizar o transplante de medula óssea ligado ao tratamento da doença.

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O que é o mieloma múltiplo?

O mieloma múltiplo é o segundo tipo mais comum de tumores do sangue. Ele se caracteriza pela produção anormal de plasmócitos, tipo de glóbulo branco gerado na medula óssea e responsável pela produção dos anticorpos que combatem vírus e bactérias. O plasmócito doente não produz anticorpos, mas uma proteína doente que não realiza a defesa e só prejudica o paciente, podendo levar a problemas renais, entre outros.

Os plasmócitos anormais se multiplicam rapidamente, comprometendo a produção das outras células do sangue. Por isso, os pacientes podem ter anemia e ficam sujeitos a infecções. As células doentes também produzem uma proteína anormal que se acumula no sangue e na urina, além de afetar os ossos, causando dores e fraturas espontâneas.

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Por que a doença demora a ser diagnosticada?

O mieloma múltiplo é uma neoplasia que acomete predominantemente indivíduos idosos, com maior incidência a partir da sexta década de vida. Por isso, os sintomas costumam ser atribuídos ao envelhecimento natural — e o diagnóstico se atrasa. Segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde, em média, a descoberta da doença leva aproximadamente um ano, em um caminho que passa por vários especialistas antes de chegar à conclusão correta. Um exemplo claro: uma paciente de 67 anos relatou que só descobriu o mieloma depois de quebrar uma vértebra enquanto andava de bicicleta.

Dados do SUS apontam que 79,7% dos pacientes com a doença tiveram que esperar um tempo superior a 60 dias para iniciar o tratamento após o diagnóstico — um gargalo que preocupa especialistas e organizações de saúde no Brasil.

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Bahia com papel de destaque no tratamento

Segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde, Salvador abriga o primeiro centro exclusivo e multidisciplinar do país voltado ao tratamento do mieloma múltiplo. O médico hematologista Edvan Crusoé, especialista na doença, estima que o centro universitário da UFBA acompanha cerca de 450 casos, enquanto o sistema privado, onde ele também atua, soma aproximadamente 250 pacientes. A incidência estimada na capital baiana, segundo o especialista, gira entre 10 e 15 casos por ano para cada 100 mil habitantes.

O transplante autólogo de medula óssea — procedimento em que o próprio paciente doa a medula para si mesmo — é uma das principais ferramentas de tratamento. Ele é destinado a pessoas com até 75 anos, em bom estado clínico e com boa resposta ao tratamento, e aprofunda a intensidade da resposta, ajudando a aumentar o tempo sem a doença.

De acordo com a reportagem do A Tarde, o transplante pelo SUS no estado é realizado no Hospital das Clínicas da UFBA — único centro público credenciado para isso na Bahia. Mas o procedimento também é oferecido em outras unidades, incluindo o Centro de Saúde de Paulo Afonso, além do Hospital Santa Isabel, do Hospital da Bahia, do Hospital Aristides Maltez e do Centro de Saúde de Feira de Santana.

Números no Brasil e no Nordeste

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença acumula mais de 187 mil casos anualmente no mundo. No Brasil, de 2023 a 2025, mais de 12 mil pessoas foram diagnosticadas com mieloma múltiplo, conforme dados do Painel Oncologia Brasil, do Ministério da Saúde.

Na região Nordeste, foram registrados 7.861 diagnósticos da doença em uma década. A doença se mostrou mais prevalente no sexo masculino e na população geriátrica, com a quimioterapia sendo a modalidade de tratamento preferencial.

Como ainda não tem cura, mesmo com o transplante de medula óssea, a grande maioria dos pacientes precisa lidar com a recidiva, ou seja, o retorno ou recaída da doença. Ainda assim, nos últimos anos surgiram novos medicamentos de diferentes classes, incluindo imunoterápicos e inibidores associados à terapia-alvo, recursos que vêm gerando reflexos muito positivos nos tratamentos e considerável aumento da sobrevida dos pacientes.

Quem notar dores ósseas persistentes, fraturas sem trauma aparente, anemia ou cansaço excessivo — especialmente após os 60 anos — deve procurar um médico e pedir investigação. O diagnóstico precoce continua sendo o principal caminho para ampliar as chances de uma vida mais longa com a doença.

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