A rede de Multicentros de Saúde de Salvador acumulou 274.315 atendimentos entre janeiro e maio de 2026, segundo balanço divulgado pela Prefeitura por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Os cinco equipamentos funcionam como a principal estrutura própria do município para oferta de consultas, exames e procedimentos de média complexidade pelo SUS.
O Ambulatório Municipal Especializado (AME) Pirajá liderou o volume no período, com 135.224 atendimentos — praticamente metade do total da rede. Na sequência aparecem o Multicentro Carlos Gomes, com 67.154 atendimentos, Amaralina, com 44.184, Vale das Pedrinhas, com 30.905, e Liberdade, com 27.753, segundo informações divulgadas pela SMS.
Os Multicentros de Saúde são unidades ambulatoriais especializadas que oferecem atendimento multiprofissional à população, com consultas médicas em diversas especialidades, realização de exames de apoio diagnóstico e serviços terapêuticos de baixa e média complexidade. As unidades funcionam de segunda a sexta-feira, com horários que vão das 7h às 18h na maioria dos equipamentos, e até as 19h no AME Pirajá.
O Multicentro Carlos Gomes é descrito como o maior, mais antigo e mais procurado centro de especialidades da rede municipal de Salvador, custeado pela Prefeitura e gerenciado pelo ISAC – Instituto Saúde e Cidadania. A unidade concentra mais de 20 especialidades, incluindo cardiologia, neurologia, hematologia, hepatologia, infectologia, gastroenterologia, dermatologia, reumatologia e oftalmologia, além de exames como ecocardiograma, eletroencefalograma, endoscopia e audiometria, conforme informações da SMS.
Já o AME Pirajá, maior em volume de atendimentos, reúne especialidades como angiologia, cardiologia, endocrinologia, mastologia e oftalmologia, além de ultrassonografias, mamografia, raio-X e sala de curativos. As unidades de Amaralina, Liberdade e Vale das Pedrinhas complementam a cobertura com ortopedia, geriatria, pneumologia, fisioterapia e saúde da mulher, entre outras áreas, segundo a SMS.
Os Multicentros atendem prioritariamente pacientes que passaram por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Saúde da Família (USF) e foram encaminhados para consulta médica especializada, procedimento ou exame. Alguns serviços, no entanto, funcionam por demanda espontânea — como raio-X, eletrocardiograma e coleta laboratorial, disponíveis nos turnos da manhã e da tarde, de acordo com a prefeitura.
A coordenadora da Atenção Especializada da SMS, Flora Oliveira, destacou o papel estratégico dessas unidades na rede municipal. Segundo ela, os Multicentros ampliam o acesso a serviços especializados, reduzem deslocamentos e fortalecem a capacidade do município de oferecer um cuidado mais resolutivo e integrado, complementando o trabalho iniciado na Atenção Primária.
A rede deve crescer em breve. O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Alves, anunciou que uma nova unidade em construção na Avenida 29 de Março, erguida em parceria com o governo federal, se somará à rede existente — tornando-se o sexto Multicentro gerido pelo município. A estrutura terá capacidade para mais de 40 mil atendimentos por mês.
O desempenho dos Multicentros ocorre em um contexto de pressão crescente sobre os serviços especializados de Salvador. Segundo análises recentes, a baixa cobertura da atenção básica na capital contribui para o aumento da procura por serviços de média e alta complexidade, com pacientes que poderiam ser acompanhados em unidades básicas acabando por buscar diretamente hospitais e policlínicas. O fortalecimento dos Multicentros surge, portanto, como uma das respostas municipais a esse desequilíbrio.







