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Política

Sesau de Alagoas ignora dívida de R$ 9 mi, descumpre decisão judicial e arrisca abastecimento de oxigênio nos hospitais

Fornecedora de gases medicinais iniciou desmobilização nesta sexta após mais de 30 notificações sem resposta e acordos judiciais descumpridos pelo governo estadual.

Redação ChicoSabeTudo
03 de julho, 2026 · 07:48 2 min de leitura
Cilindros de oxigênio medicinal em corredor de hospital público
Cilindros de oxigênio medicinal em corredor de hospital público

A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) acumula mais um capítulo constrangedor na sua gestão: a empresa White Martins, fornecedora de oxigênio e outros gases medicinais para a rede pública estadual, iniciou nesta sexta-feira (3) o processo de desmobilização do serviço após mais de três anos sem receber o que lhe é devido.

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Segundo informações divulgadas pela empresa, a dívida da Sesau chegou à casa dos R$ 9 milhões. O valor não surgiu do nada: em dezembro de 2024, o débito já estava em torno de R$ 3,1 milhões, o que indica que o governo estadual simplesmente deixou a conta crescer sem tomar nenhuma providência para quitá-la.

A White Martins afirma ter enviado mais de 30 notificações à Sesau cobrando a regularização dos débitos — todas ignoradas. A empresa também teria solicitado reuniões com o secretário de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, e sua equipe. Em 25 de junho, protocolou ainda um pedido de audiência de urgência com o governador Paulo Dantas para discutir o cronograma de transição, pedido que, segundo a companhia, tampouco foi atendido.

Além das tentativas extrajudiciais fracassadas, a Sesau também não cumpriu acordos firmados na Justiça, incluindo um plano de regularização da dívida e a formalização de um contrato emergencial. A desobediência a uma decisão da 16ª Vara Cível da Capital, segundo informações divulgadas pelo portal CadaMinuto, é mais um ponto que agrava a situação institucional da pasta.

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Em nota, a Sesau afirmou que não há risco de desabastecimento nas unidades da rede pública estadual. A versão da empresa, no entanto, é oposta: a White Martins diz que elaborou um plano de transição para o novo fornecedor, contratado por licitação realizada em dezembro de 2025, mas que os detalhes operacionais dessa transição ainda não foram acertados com o governo.

O cenário atual da Sesau é marcado por uma crise que se arrasta. Em dezembro de 2025, o secretário Gustavo Pontes foi afastado do cargo por 180 dias após a deflagração da Operação Estágio IV, da Polícia Federal, que investiga supostos desvios de quase R$ 100 milhões em contratos emergenciais e verbas do SUS entre 2023 e 2025. Em fevereiro de 2026, ele retornou ao cargo por meio de habeas corpus concedido pelo ministro Antonio Saldanha Palheiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os problemas financeiros da Sesau não se limitam ao caso da White Martins. Em maio de 2026, o Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu procedimento investigatório contra o Estado de Alagoas para apurar o atraso crônico nos repasses da secretaria à rede hospitalar e a clínicas privadas. Um dos casos mais graves envolve a Santa Casa de Maceió, com dívida de R$ 5,5 milhões referente ao programa Promater.

A divergência entre as versões — a empresa anunciando corte por inadimplência e o governo garantindo normalidade — deixa pacientes, profissionais de saúde e gestores hospitalares em estado de alerta. Para quem depende dos hospitais da rede estadual de Alagoas, o impasse não é burocrático: é uma questão de acesso a oxigênio.

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