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Política

Novo prefeito de Maceió herda passivo milionário do lixo e paga a conta política

Rodrigo Cunha assumiu a cidade há menos de três meses e já enfrenta pressão da opinião pública, do MP e da Defensoria por uma crise que tem raízes na gestão anterior.

Redação ChicoSabeTudo
03 de julho, 2026 · 07:48 2 min de leitura
Acúmulo de lixo nas ruas de Maceió durante crise de coleta urbana em 2026
Acúmulo de lixo nas ruas de Maceió durante crise de coleta urbana em 2026

Rodrigo Cunha assumiu a prefeitura de Maceió há menos de três meses e já enfrenta um dos problemas mais visíveis — e mais perigosos politicamente — que qualquer gestor pode herdar: montes de lixo espalhados pela cidade. A crise não nasceu com ele, mas é o seu rosto que os moradores associam ao problema.

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Segundo análise publicada pelo colunista Ricardo Mota no portal Cada Minuto, há uma espécie de "operação tartaruga" em andamento por parte das empresas responsáveis pela coleta. O problema atinge bairros como a região do mercado e artérias da Jatiúca, com acúmulo de resíduos que, embora tenha melhorado nos últimas semanas, ainda está longe de ser resolvido.

O pano de fundo financeiro ajuda a entender o impasse. A dívida da prefeitura com a limpeza urbana ultrapassa R$ 45 milhões. Empresas responsáveis pela coleta de lixo relataram calote em repasses por parte da prefeitura, afirmando que os débitos comprometem a prestação do serviço — situação apontada como uma das causas da instabilidade na coleta em diferentes regiões da capital.

A capital enfrenta problemas no recolhimento de lixo em vários bairros após paralisações de funcionários da limpeza urbana, por denúncias de atraso salarial e falta de pagamento de direitos trabalhistas. Trabalhadores interromperam atividades cobrando regularização de pagamentos e melhores condições de trabalho.

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O Ministério Público e outras instâncias de controle já entraram em campo. A Defensoria Pública de Alagoas instaurou um procedimento de acompanhamento formal para intervir na crise. O Núcleo de Proteção Coletiva do órgão oficiou a Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (Alurb), junto às empresas concessionárias Viambiental e Naturalle Tratamento de Resíduos, cobrando providências urgentes.

O documento oficial fixou prazo de cinco dias para que a prefeitura e as empresas terceirizadas apresentassem um relatório com medidas emergenciais e um plano definitivo. A Defensoria avisou que pode ajuizar ações civis públicas com pedidos de liminar e aplicação de multas, caso a coleta não seja regularizada.

O São João Massayó, cujos cachês somam R$ 14,8 milhões, entrou na mira do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas. MPE e TCE-AL avaliaram se os recursos destinados ao evento comprometiam a capacidade de pagamento a fornecedores essenciais — questionando como a administração poderia investir em festividades com um passivo de R$ 45 milhões na limpeza urbana.

Rodrigo Cunha foi empossado como prefeito de Maceió em 5 de abril deste ano, após a renúncia de JHC. Ele havia renunciado ao Senado em 2024 para ser vice-prefeito e comandar obras como secretário de Infraestrutura da capital alagoana. O passivo do lixo, portanto, foi construído antes da sua chegada ao cargo mais alto da cidade.

O que está em jogo agora é clássico da política municipal: o eleitor não distingue quem criou o problema de quem o herdou. Se as ruas continuarem sujas, a conta vai para quem está no comando — independentemente de quando o buraco foi cavado.

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