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Política

Seis meses depois da Operação Estágio IV, governo Dantas ainda não explica o que fez com o escândalo de R$ 100 mi na Sesau

Secretário Gustavo Pontes voltou ao cargo após decisão do STJ, mas o Palácio dos Palmares não divulgou o resultado de nenhuma apuração interna sobre os desvios apontados pela Polícia Federal.

Redação ChicoSabeTudo
20 de junho, 2026 · 07:50 3 min de leitura
Fachada da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) durante a Operação Estágio IV da PF
Fachada da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) durante a Operação Estágio IV da PF

Seis meses após a Polícia Federal deflagrar a Operação Estágio IV em Alagoas, o governo do estado ainda não apresentou à população qualquer resultado concreto sobre o que foi apurado internamente a respeito dos desvios na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). O secretário alvo da investigação está de volta ao cargo, e o Palácio República dos Palmares segue em silêncio.

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A operação investigou fraudes em contratos firmados entre a Sesau e uma construtora e uma fornecedora de material hospitalar entre os anos de 2023 e 2025. As contratações diretas firmadas pela Sesau somam o montante de quase R$ 100 milhões, sendo que boa parte do recurso ainda se encontrava em execução.

A Polícia Federal cumpriu 38 mandados de busca e apreensão e diversas medidas cautelares, incluindo a suspensão do exercício de função pública por 180 dias, todas expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região. A operação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União, da Receita Federal e do Departamento Nacional de Auditoria do SUS, mobilizando cerca de 170 policiais federais e 26 auditores.

A Polícia Federal apurou ainda o desvio de recursos do SUS por meio de ressarcimento superdimensionado de consultas e procedimentos médicos que não teriam ocorrido, totalizando mais de R$ 18 milhões. O inquérito identificou ainda que imóveis adquiridos pelo grupo investigado foram registrados em nome de terceiros, como uma pousada em Porto de Pedras (AL) avaliada em R$ 5,7 milhões, paga por empresários beneficiados pelo esquema, e que os valores também eram usados para custear viagens internacionais e gastos pessoais.

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Em nota oficial, o governador Paulo Dantas afirmou que acatou imediatamente a decisão de afastamento do secretário, ressaltando que a medida garantiria que as investigações ocorressem de forma técnica, independente e sem interferências. A comissão especial criada pelo governo foi composta pelo secretário-chefe do Gabinete Civil, pela Controladoria-Geral do Estado e pela Procuradoria-Geral do Estado. Até agora, nenhum resultado dessa comissão foi tornado público.

O secretário Gustavo Pontes de Miranda reassumiu o comando da Sesau após decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça. Ele havia sido afastado desde 16 de dezembro de 2025, quando a operação da Polícia Federal investigou o suposto esquema milionário na saúde estadual. Com a decisão do STJ, o governador Paulo Dantas assinou decreto em 20 de fevereiro reconduziu Gustavo Pontes ao cargo.

A Unidade Popular (UP) denunciou como politicamente irresponsável e moralmente inaceitável a decisão do governo de Paulo Dantas de manter e reconduzir Gustavo Pontes de Miranda ao comando da Sesau, mesmo após seu afastamento por decisão judicial no contexto das investigações da PF e da CGU. O partido pediu auditoria independente com participação dos órgãos de controle e do controle social do SUS, além de cobrar que a Assembleia Legislativa de Alagoas convocasse a Sesau para explicações detalhadas sobre os contratos investigados.

Segundo o portal Cada Minuto, o governo alagoano ainda não esclareceu publicamente que providências adotou após as denúncias da PF — nem para confirmar as irregularidades, nem para refutá-las formalmente. O secretário segue sendo um dos nomes de maior confiança dentro do Palácio República dos Palmares, o que aumenta as cobranças por transparência sobre o caso.

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