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Política

Saneamento na Bahia: veja propostas de Neto, Mansur e Jerônimo

Candidatos ao governo baiano divergem sobre o papel da Embasa e a participação privada no setor

Redação ChicoSabeTudo
17 de setembro, 2026 · 19:21 3 min de leitura

Os candidatos ao governo da Bahia apresentam propostas diferentes para o saneamento básico no estado. ACM Neto (União), Ronaldo Mansur (PSOL) e Jerônimo Rodrigues (PT) divergem principalmente sobre o papel do setor privado e o futuro da Embasa, a companhia estadual de água e esgoto.

O tema ganha peso diante da situação atual do saneamento na Bahia. Segundo levantamento da Agência Fiquem Sabendo, feito com base em dados do Ministério das Cidades, o estado já recebeu mais de R$ 9,3 bilhões em investimentos públicos e privados, distribuídos em 354 contratos. Mesmo assim, a Bahia aparece em quarto lugar entre os estados que mais investem no setor, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

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Os números de cobertura ainda são baixos. De acordo com o levantamento da Agência Fiquem Sabendo, 58,8% da população baiana, cerca de 8,3 milhões de pessoas, não dispõe de serviço de coleta de esgoto. O mesmo levantamento informa que 20,3% da população não tem acesso à água de qualidade, conforme o indicador adotado no estudo. O volume de esgoto não tratado chega a 272.445,20 m³, segundo o indicador apresentado pela fonte, sem período especificado.

O Instituto Trata Brasil informou ao Bahia Notícias, em 2025, que o índice de esgoto tratado em relação à água consumida era de 48,8%. Esse indicador compara o volume de esgoto tratado com o volume de água consumida.

O descarte de lixo também é um problema apontado pelo Ministério Público do Estado da Bahia: 388 dos 417 municípios baianos, quase 93% do total, fazem destinação inadequada de resíduos sólidos. Apenas 29 cidades enviam o material corretamente para aterros sanitários licenciados.

Na proposta de ACM Neto, o plano de governo defende atrair capital privado, buscar eficiência de gestão e usar tecnologia para cumprir metas do Marco Legal do Saneamento Básico. O candidato critica o fato de a Bahia ser o único estado do Nordeste sem concessões ou parcerias público-privadas no setor até agora. Para isso, propõe criar a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI). “O Novo Governo envidará todos os esforços necessários para recuperar o tempo perdido e assegurar o cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento Básico”, diz o plano de ACM Neto. A fonte também atribui à proposta medidas de governança por resultados, monitoramento por tecnologia, redução de perdas e prioridade para áreas vulneráveis e polos turísticos; esses detalhes não foram confirmados no trecho oficial consultado.

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Ronaldo Mansur, que trata do saneamento nas páginas 153 e 166 de seu plano, segue direção oposta. Ele defende que a universalização dos serviços fique sob responsabilidade integral do Estado e rejeita a privatização de bens estratégicos, incluindo a manutenção da Embasa como empresa exclusivamente estatal. O candidato também propõe participação popular por meio de conselhos e orçamentos participativos, além de moratória da dívida estadual com a União para liberar recursos para investimentos sociais e de infraestrutura. “Oposição à privatização da Embasa, dos Correios e de outros serviços públicos estratégicos”, afirma o plano de Mansur.

Já Jerônimo Rodrigues baseia sua proposta na continuidade do projeto político iniciado em 2007 e na cooperação com o Governo Federal. Ele cita como ações a primeira etapa do sistema de esgotamento sanitário de Lauro de Freitas, a expansão do sistema em Salvador nas bacias de Trobogy, Cambunas e Águas Claras, e a ampliação dos sistemas de Jequié e Senhor do Bonfim. Para o meio rural, o plano sugere soluções descentralizadas com biodigestores e prevê apoio aos municípios na elaboração de seus Planos Municipais de Saneamento Básico.

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